Capitalismo não rima com defesa do ambiente
Decorre no Dubai, até ao próximo dia 12, a 28.ª Conferência das Partes no âmbito das Convenções Quadro sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas (COP28). O deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Pimenta Lopes, está presente.
As grandes potências não podem ignorar as suas responsabilidades históricas
Depois de, na COP27, a discussão ter-se centrado na compensação aos países afectados por fenómenos climáticos extremos, tendo sido até possível inscrever nas conclusões, pese embora as resistências de países ditos desenvolvidos, o estabelecimento de um Fundo de Perdas e Danos, este ano debate-se o funcionamento e financiamento deste mecanismo.
O presidente cubano, Miguel Diaz-Canel, acusou os EUA e as potências da União Europeia de não terem cumprido o «escasso compromisso» de contribuir anualmente com 100 mil milhões de dólares para apoiar a mitigação e adaptação às alterações climáticas dos países menos industrializados, cujas necessidades – garantiu – «aumentam diariamente». Esta é mais uma demonstração da intenção, sempre demonstrada, de transferir para esses países o «peso do seu incumprimento».
As potências capitalistas da Europa e América do Norte pretendem ainda apagar as suas «responsabilidades históricas na deterioração do ambiente», acrescentou Diaz-Canel, acusando-as ainda de, paralelamente, resistirem a comprometer-se com a implementação dos meios necessários para mitigar as consequências da sua acção.
Outros dirigentes intervieram e intervirão nos próximos dias nos trabalhos da Conferência.
Mudar paradigmas
O PCP, num comunicado que emitiu no primeiro dia da Conferência e na declaração do seu deputado ao PE, salienta que os problemas ambientais não são uma inevitabilidade, antes têm causas e é sobre elas que urge intervir, contrapondo a mais do mesmo uma necessária mudança de paradigmas, desde logo no modelo produtivo.
Os impasses e indefinições verificadas em sucessivas COP evidenciam a contradição entre os interesses das grandes potências e dos grandes grupos económicos e financeiros, por um lado, e os interesses e necessidades dos povos, por outro, salienta o Partido, para quem o capitalismo não oferece soluções que respondam simultaneamente aos problemas ambientais e à elevação das condições de vida dos trabalhadores e dos povos, no quadro do respeito pelo direito ao desenvolvimento e pela soberania e independência de cada Estado e dos limites físicos do planeta.