A solidariedade com a Palestina intensifica-se, em Portugal e um pouco por todo o mundo. Por cá, e depois das acções realizadas em diversas cidades, outras estão previstas: na tarde de domingo, 29, há manifestação em Lisboa.
Intitulada Paz no Médio Oriente, Palestina independente. Não à guerra, não ao massacre, a manifestação que unirá o Martim Moniz à Praça do Município está marcada para as 15h30. A convocatória é, uma vez mais, partilhada entre o CPPC, a CGTP-IN e o MPPM, mas mais de 30 outras outras organizações das mais variadas áreas de intervenção já se associaram a ela.
No apelo à participação insiste-se na necessidade de «impedir uma ainda maior e terrível tragédia na Faixa de Gaza», onde morreram até ao momento milhares de pessoas e muitas mais ficaram feridas: «Gaza está sem luz eléctrica, sem água, sem comida, sem medicamentos. Ambulâncias, pessoal médico, instalações médicas, hospitais, caravanas de refugiados, bairros residenciais são alvo de ataques e de bombardeamentos. Dezenas de trabalhadores de apoio humanitário e da ONU foram mortos pelos ataques israelitas».
À denúncia da «profunda hipocrisia dos EUA, da União Europeia e de vários governos europeus, incluindo o português, que com a retórica do ”direito de resposta de Israel” alimentam o conflito e dão cobertura a crimes de guerra», soma-se a constatação de que «todas as vidas contam, todas as vidas têm o mesmo valor, todas as acções que visem populações civis são censuráveis e merecem a nossa condenação».
É por isso, garantem, que a paz «tem de imperar». Para tal, é urgente um cessar-fogo imediato, restabelecer o abastecimento de água, alimentos, energia e combustíveis e permitir a entrada urgente da ajuda humanitária. A paz, essa, só será possível «com o fim da ocupação, dos colonatos, da opressão e repressão israelitas e com a garantia dos direitos nacionais do povo palestiniano como estipulam inúmeras resoluções da ONU».
Um clamor que cresce
Na concentração que no dia 18 encheu o Martim Moniz, em Lisboa (a segunda realizada naquele local no espaço de uma semana), voltaram a soar bem alto as exigências que por estes dias têm trazido milhões para as ruas de dezenas de cidades em todo o mundo, na voz dos representantes das organizações promotoras – Rui Garcia, do CPPC; João Coelho, da CGTP-IN; e Carlos Almeida, do MPPM – e também de Dima Mohammed, palestiniana residente em Portugal (ver caixa).
Falando à comunicação social na Praça do Martim Moniz, o Secretário-Geral do PCP afirmou ser «urgente parar a guerra, parar o massacre, parar o desastre que está em curso em Gaza». Paulo Raimundo exigiu do Governo português clareza na «condenação do que está a acontecer» e um posicionamento firme em defesa de um cessar-fogo imediato e da concretização das resoluções das Nações Unidas, pois «é isso que está a faltar há mais de 50 anos».
No dia seguinte, sob forte chuva, uma centena de pessoas concentrou-se no centro de Évora pela paz no Médio Oriente e em defesa dos direitos do povo palestiniano.
Para ontem estava marcada uma acção em Braga. Hoje, 26, às 18h00, há nova concentração no Porto (Praceta da Palestina) e, meia hora antes, em Coimbra (Praça 8 de Maio). Para terça-feira, 31, às 17h30, está marcada uma acção na Praça da Estação da CP, em Viana do Castelo.
«O meu povo, enquanto continuar a resistir, não vai estar sozinho»
«Milhares de civis mortos, bairros completos apagados, famílias inteiras mortas em ataques que não param, ataques sobre homens e mulheres, bebés, crianças e idosos, jornalistas, bombeiros, médicos e até hospitais. Às vezes, parece que não há nada que possa parar a máquina de matança israelita, nada que possa parar esta morte em massa.»
«O que está a acontecer na Palestina não é conflito, é apartheid; não se trata de confrontos, mas sim de um projecto colonial e da resistência anticolonial; o que estamos a testemunhar não é autodefesa, mas sim um genocídio contra o povo palestiniano.»
«O povo palestiniano vai continuar a resistir. O caminho não vai ser fácil nem curto. Não temos nenhuma ilusão: a máquina de matança israelita vai continuar enquanto continuar a gozar da impunidade vergonhosa que a protege. Não temos nenhuma ilusão, mas sabemos bem que só a voz da solidariedade é capaz de fazer parar a impunidade israelita; só a voz da solidariedade pode acabar com a cumplicidade dos poderes políticos com a limpeza étnica, o apartheid e o genocídio.
«Aconteça o que acontecer nos próximos dias e nas próximas semanas, o povo palestiniano, o meu povo, enquanto continuar a resistir, não vai estar sozinho. Dá conforto saber que vamos atravessar tudo isto juntos. Dá força saber que podemos contar com a vossa solidariedade enquanto lutamos.»
«A luta contra a opressão é uma: lá na Palestina, aqui em Portugal, como em todo o mundo. É a luta contra a opressão e contra o racismo. A luta pela liberdade, pelos direitos básicos, a vida justa, a habitação e a dignidade.»
- Dima Mohammed, professora palestiniana a residir em Portugal, que interveio na concentração de dia 18, em Lisboa