Firmeza na Nobre Alimentação contesta salários mínimos

Na segunda-feira, 31 de Julho, os trabalhadores da Nobre Alimentação fizeram greve com muito forte adesão, pela quarta vez este ano, rejeitando ficar anos e anos a receber o salário mínimo nacional.

A política de salário mínimo generalizado é injusta e desadequada

A greve contou com a adesão da grande maioria dos trabalhadores, «entre os 90 e os 93 por cento, tal como tinha acontecido na anterior», como disse um dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, Alimentação, Bebidas e Tabaco (SINTAB). Citado pela agência Lusa, ao fim da tarde, Diogo Lopes deu o exemplo do turno da manhã, «o maior, com mais de 320 trabalhadores, e estavam 33 a trabalhar».

A decisão de fazer greve a 31 de Julho e a 28 de Junho, como recordou o sindicato da FESAHT/CGTP-IN, foi tomada em plenários, a 15 de Junho, para «denunciar a falta de vontade da empresa para negociar o caderno reivindicativo dos trabalhadores, bem como a política de salário mínimo nacional, como retribuição única e generalizada», embora a fábrica de Rio Maior do grupo mexicano Sigma seja uma unidade «certificada, com recurso a tecnologia de ponta e altos padrões de qualidade alimentar».

Está já decidida uma nova greve, a 11 de Setembro. Caso a gerência continue a não corresponder às reivindicações – nomeadamente, aumentos salariais, valorização das carreiras profissionais e da antiguidade, redução do horário de trabalho, aumento dos dias de férias, dispensa no dia de aniversário, fim da contratação com vínculos precários –, nessa altura serão definidas novas formas de luta.

Já se tinham realizado greves, igualmente com o envolvimento do STIAC (Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Alimentar, outro sindicato da FESAHT com representação na Nobre), a 9 de Fevereiro e a 28 de Abril. Durante esta, a solidariedade do PCP à luta dos trabalhadores foi transmitida pelo Secretário-Geral, Paulo Raimundo, e por João Pimenta Lopes, deputado no Parlamento Europeu.

No dia 31 de Julho, o apoio do Partido foi reafirmado por Diogo d´Avila, membro do Comité Central e responsável pela Organização Regional de Santarém.

Diogo Lopes revelou que foram contratados trabalhadores, na sexta-feira, para substituir os que iriam aderir à greve – ilegalidade que o SINTAB reportou à Autoridade para as Condições do Trabalho.

Na última greve, tinha sido aprovada uma moção, a dar 30 dias para uma resposta patronal às exigências dos trabalhadores, abrindo negociações. Na semana passada, foi comunicada a recusa de aumentos salariais, alegando que isso já sucedeu em Janeiro. O sindicato não aceita esta posição, esclarecendo que se tratou da actualização do salário mínimo nacional e não de um aumento salarial negociado.

O SINTAB assinalou, durante a greve de 31 de Julho, que «a ausência de contratação colectiva é a base de quase todos os problemas que motivam as reivindicações dos trabalhadores, de onde se destaca o aumento salarial». Numa nota publicada no seu espaço na rede social Facebook, lembrou que «em Espanha, por exemplo, onde o salário mínimo é muito superior, a empresa local, do grupo paga bem acima, resultando numa massa salarial quatro vezes superior à da Nobre».

Para o sindicato, «esta discriminação é absurda e atira ainda mais os trabalhadores portugueses para a miséria», sendo injustificável pagar o salário mínimo nacional a trabalhadores que «garantem a operacionalização complexa de uma empresa que opera com tecnologia de ponta e garante índices de qualidade superiores».

 



Mais artigos de: Trabalhadores

Greve dos enfermeiros dos hospitais privados

O SEP/CGTP-IN realçou a «forte adesão» registada na segunda greve dos enfermeiros da hospitalização privada, dia 28 de Julho, destacando o Hospital Lusíadas e a CUF, no Porto, e o Hospital da Luz, em Lisboa(adesão de 94 por cento). Outros exemplos foram dados em conferências de imprensa e...

Unidade e luta com resultados

«Vale sempre a pena lutar, mesmo que o resultado não seja imediato», comentou a FENPROF, na terça-feira, dia 1, ao divulgar que a Caixa Geral de Aposentações «reconheceu o direito à reinscrição dos subscritores anteriores a 1 de Janeiro de 2006 e que, após 31 de Dezembro de 2005, voltaram a exercer funções». A decisão de...

Nova greve na Samsic

Os trabalhadores da Samsic, empresa de limpeza industrial, a quem a ANA concessionou os «serviços gerais» no Aeroporto de Lisboa, iniciaram na terça-feira, dia 1, uma greve de 48 horas, em defesa do seu caderno reivindicativo. Tal como na greve realizada, com muito forte adesão, no dia 15 de...