Manifestação na Suécia contra integração na NATO
Milhares de suecos protestaram contra a integração do seu país na NATO, a «máquina de guerra dos EUA». Para além do abandono do estatuto de neutralidade, os manifestantes receiam que a Suécia perca o seu estatuto de zona livre de armas nucleares e preocupam-se com o consequente aumento das despesas militares para pagar a escalada de confrontação e guerra.
Manifestantes protestaram também contra realização de uma das maiores manobras militares em solo sueco
Milhares de pessoas reuniram-se em Gotemburgo, a segunda maior cidade da Suécia, no sábado, 22, para protestar contra a pretensão do governo de integrar o país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, em inglês), bem como contra a realização em solo sueco dos exercícios militares Aurora 2023, dos maiores realizados no país.
Exibindo dísticos com dizeres como «Não à NATO», a marcha de protesto percorreu ruas centrais da cidade. Os manifestantes chamaram à NATO «máquina de guerra dos EUA» e expressaram a preocupação de que o bloco político-militar belicista possa arrastar a Suécia para conflitos contra outros países.
O protesto em Gotemburgo foi promovido por diversas organizações amantes da paz e que defendem o desarmamento nuclear.
As armas nucleares são um tema focado pelos manifestantes, que receiam que a Suécia perca o seu estatuto de território livre de armas nucleares se Estocolmo concretizar a integração na NATO. E o país poderia tornar-se um alvo no caso de deflagrar uma guerra nuclear.
Outra preocupação dos participantes na manifestação foi o aumento das despesas militares. Argumentaram que se a Suécia entrar para a NATO o orçamento sueco será utilizado para financiar a máquina de guerra dos EUA, em vez do investimento na educação e na protecção social dos suecos.
Pressionada pelos EUA e aliados, e com o pretexto do agravamento do conflito na Ucrânia, o governo sueco apresentou em Maio do ano passado uma candidatura de adesão à NATO, juntamente com a Finlândia, outro país nórdico europeu que ao longo de muitos anos adoptou uma posição de neutralidade política no plano internacional e de não participação em blocos político-militares.
Em 31 de Março último, a candidatura do governo de Helsínquia foi ratificada pelo conjunto dos 30 países membros da NATO, mas a candidatura de Estocolmo está ainda pendente de aprovação pela Hungria e a Turquia.
Exercícios militares
Aurora 2023 até Maio
Desde o dia 17 deste mês que decorre na Suécia uma das maiores manobras militares no país, nos últimos 25 anos, que mobilizam 26 mil militares de 14 Estados, a maioria da NATO, incluindo os EUA.
Os exercícios decorrem até 11 de Maio «no ar, em terra e no mar, em grandes áreas do país», informaram as forças armadas suecas. Concentram-se no Norte e no Sul e na ilha de Gotland, de importância estratégica. Participam tropas da Suécia, EUA, Reino Unido, Finlândia, Polónia, Noruega, Estónia, Letónia, Lituânia, Ucrânia – apesar de estar em guerra –, Dinamarca, Áustria, Alemanha e França.