Enfermeiros dos hospitais privados unidos e em greve por valorização

A forte adesão à primeira greve dos enfermeiros da hospitalização privada, no dia 16, nasceu do descontentamento e de um persistente e audaz esforço de união e organização, por melhores condições.

Insatisfação, revolta e luta requerem avanços nas propostas patronais

No dia seguinte, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses divulgou um balanço da paralisação, que abrangeu todo o País e as instituições onde se aplica o contrato colectivo de trabalho firmado entre o SEP/CGTP-IN e a associação patronal da hospitalização privada (APHP).

«Com especial enfoque nas instituições dos grupos CUF, Lusíadas, Luz, Sanfil e Trofa», o sindicato registou que «centenas de cirurgias, consultas e exames complementares de diagnóstico tiveram de ser reprogramados, devido à forte adesão dos enfermeiros à greve». Em «inúmeros serviços que não funcionam 24 horas e todos os dias, os enfermeiros não compareceram ao serviço». Nos serviços de internamento «a adesão foi bastante significativa (muitos a 100 por cento) ainda que, nestes casos, os enfermeiros estivessem a prestar serviços mínimos».

«A partir de hoje, é esperado que as entidades empregadoras evoluam nas suas posições», declarou o presidente do sindicato. Ao intervir na concentração que, nessa quinta-feira, ao final da manhã, reuniu centenas de enfermeiros no exterior do Hospital CUF Descobertas, José Carlos Martins alertou que, caso não se verifique essa evolução da parte patronal, nas próximas reuniões de negociação, «teremos de voltar à carga».

As empresas, salientou, «têm margem mais do que suficiente para melhorar as vossas condições», pois «todos nós sabemos que o número de clientes tem aumentado e os preços também têm aumentado».

A «franca expansão» deste sector e o «aumento exponencial dos lucros nos últimos anos» foram igualmente salientados por Isabel Barbosa. Mas as instituições «continuam a não valorizar os enfermeiros», protestou a coordenadora regional de Lisboa do SEP.

Recordou que «lutamos por uma proposta de melhoramento da convenção colectiva de trabalho, discutida em dezenas de plenários e que contou com o apoio de mais de 800 enfermeiros dos grupos Lusíadas, Luz e CUF, só da área de Lisboa, que subscreveram um abaixo-assinado».

Sob aplausos, a dirigente apresentou «alguns dados de adesão que conseguimos recolher, apesar de termos sido impedidos de circular, como aconteceu ainda hoje, aqui na CUF Descobertas»: Lusíadas Amadora, 71 por cento; consultas na Luz Lisboa, cem por cento; Luz Torres de Lisboa, 80 por cento; CUF Almada, «só uma colega foi trabalhar»; CUF Tejo, cem por cento no atendimento pediátrico e no atendimento permanente, 60 por cento no internamento, 50 por cento no bloco operatório; CUF Descobertas, consultas «a meio gás, Oftalmologia a cem por cento, tal como a Unidade de Cuidados Intensivos, medicinas 5 e 6 e cirurgias».

Isabel Barbosa assinalou a presença, na concentração, de profissionais dos hospitais Luz Lisboa, Luz Oeiras, Luz Torres de Lisboa, Lusíadas Lisboa, Lusíadas Amadora (que tinham realizado, antes, uma concentração na entrada desta unidade), CUF Descobertas, CUF Tejo, CUF Torres Vedras, CUF Cascais e CUF Sintra. Mais tarde, o coordenador regional de Coimbra, Paulo Anacleto, anunciou que, do distrito, estavam ali enfermeiros dos grupos Luz, Sanfil e CUF.

Zoraima Prado, coordenadora regional de Setúbal do SEP, saudou «a coragem de estarem na concentração e em greve», lembrando que «os enfermeiros são combativos».

Alma Rivera, do Comité Central do PCP e deputada, acompanhou a concentração, sublinhando a solidariedade do PCP com a luta e os seus objectivos.

No Porto, na entrada do Hospital Lusíadas, concentraram-se enfermeiros deste e de outros dos principais grupos da hospitalização privada na região, como a CUF e a Luz Saúde.

No Hospital CUF Viseu, os enfermeiros «aderiram em força», registando a delegação regional do SEP na Beira Alta uma adesão de 99 por cento, com encerramento do bloco e das consultas externas. Durante a manhã houve uma reunião com 30 profissionais que estavam a cumprir serviços mínimos.

 

Exigências justas

Os enfermeiros e o SEP reclamam melhores condições de trabalho, expressas em reivindicações, como: acréscimo remuneratório mensal, sem banco de horas, para quem trabalha em horários desfasados; aumento da compensação das horas penosas (noites, fins-de-semana e feriados); pagamento do regime de prevenção; aumento salarial em dez por cento e actualização do subsídio de refeição; 35 horas semanais e regulação dos horários de trabalho; 25 dias úteis de férias.

 



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