EUA ameaçam a África do Sul

Carlos Lopes Pereira

No quadro da sua es­tra­tégia de he­ge­monia mun­dial, os Es­tados Unidos da Amé­rica au­mentam cada vez mais as pres­sões sobre África, ten­tando pre­ju­dicar ou mesmo im­pedir as re­la­ções dos países do con­ti­nente com a China e a Rússia.

Esta ofen­siva, com o ob­jec­tivo con­fesso de neu­tra­lizar a «in­fluência» de Mos­covo e Pe­quim, foi re­for­çada a partir de fi­nais do ano pas­sado com a ci­meira EUA-África em Washington. Desde então, su­cedem-se as des­lo­ca­ções de di­ri­gentes norte-ame­ri­canos a ca­pi­tais afri­canas – ainda esta se­mana a pri­meira dama, Jill Biden, es­teve em Windhoek –, onde não só re­petem an­tigas e in­cum­pridas pro­messas de grandes e múl­ti­plos in­ves­ti­mentos como não se coíbem de ame­açar com san­ções go­vernos e em­presas que se «atrevam» a manter laços de co­o­pe­ração com par­ceiros russos e chi­neses.

Os in­te­resses dos EUA não são cer­ta­mente o bem-estar e o de­sen­vol­vi­mento dos povos afri­canos, com os quais nunca antes se pre­o­cu­param – antes pelo con­trário, apoi­aram sempre os seus pi­ores ini­migos –, mas antes a ten­ta­tiva de im­pedir im­por­tantes pro­jectos como o de A Franja e a Rota da Seda, que a China está a im­ple­mentar, ou con­tra­riar ac­ções mais a curto prazo, como a se­gunda ci­meira Rússia-África, pre­vista para Junho deste ano, em São Pe­ters­burgo.

É bem co­nhe­cido que o au­mento do acosso e as­sédio aos países afri­canos, por parte de Washington, passa pela apli­cação de me­didas uni­la­te­rais pu­ni­tivas aos que não aceitam as suas im­po­si­ções im­pe­riais e de­fendem, com dig­ni­dade, a in­de­pen­dência e so­be­rania.

Em me­ados do ano pas­sado, nu­me­rosos países afri­canos, em es­pe­cial os da África Aus­tral, através da sua or­ga­ni­zação in­ter­go­ver­na­mental, a SADC (Co­mu­ni­dade de De­sen­vol­vi­mento da África Aus­tral), re­pu­di­aram com ve­e­mência uma «lei de com­bate às ac­ti­vi­dades russas ma­lignas em África», apro­vada pela Câ­mara dos Re­pre­sen­tantes dos EUA. Como o nome in­dica, a ab­surda lei «ori­enta» o go­verno no sen­tido de «com­bater a in­fluência ma­ligna e as ac­ti­vi­dades da Rússia e seus re­pre­sen­tantes em África». Isto, como se os países afri­canos não pu­dessem es­co­lher li­vre­mente os países com os quais se re­la­ci­onam!

Outra ini­ci­a­tiva se­me­lhante, de igual re­corte co­lo­ni­a­lista, foi co­nhe­cida esta se­mana. Um grupo de le­gis­la­dores norte-ame­ri­canos apre­sentou na câ­mara baixa do Con­gresso um pro­jecto de lei que pre­tende punir a Re­pú­blica da África do Sul por ter par­ti­ci­pado em con­junto com a China e a Rússia em exer­cí­cios na­vais mi­li­tares, que de­cor­reram em Fe­ve­reiro, ao largo das suas costas. A pro­posta re­co­menda à ad­mi­nis­tração Biden a re­visão das re­la­ções entre os EUA e a África do Sul.

Esta chan­tagem in­fame não pode deixar de ser fir­me­mente re­jei­tada e de­nun­ciada pelos povos afri­canos. Que têm me­mória his­tó­rica e sabem quem du­rante sé­culos os es­cra­vizou e os tra­ficou para terras lon­gín­quas. Quem os co­lo­nizou e armou os co­lo­ni­za­dores, quem os ex­plorou e hu­mi­lhou. E, por outro lado, quem apoiou, ao longo de grande parte do sé­culo XX, os mo­vi­mentos de li­ber­tação na­ci­onal afri­canos nas lutas pela in­de­pen­dência, pela li­qui­dação do apartheid e do ra­cismo. E quem con­tinua, hoje, apesar das ame­aças dos que se con­si­deram donos do mundo, a apoiar os afri­canos na con­so­li­dação dos seus Es­tados, no re­forço da sua so­be­rania na­ci­onal e na con­ti­nu­ação do seu de­sen­vol­vi­mento.

 



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