2022: ano do empobrecimento da juventude

Está a terminar aquele que as instituições da União Europeia e sua máquina de propaganda decidiram instituir como o Ano Europeu da Juventude. Debruçámo-nos sobre essa temática em Fevereiro passado. Nessa altura augurávamos que este ano seria um outro ano temático cheio de proclamações e bonitas palavras, mas que em nada se traduziria na melhoria das condições de vida dos jovens.

Infelizmente acertámos.

Acertámos quando dissemos que, tendo como o exemplo as experiências anteriores, o objectivo deste ano não seria alertar para os problemas da juventude nem iniciar o caminho para dar resposta aos seus justos anseios e aspirações. Que não haveria sequer sinal de inversão das políticas que impedem muitos jovens de aceder gratuitamente aos mais elevados graus de ensino, de ter contratos de trabalho estáveis e salários justos que valorizem o seu trabalho e a sua formação, que os impedem de ter acesso a uma habitação digna e a preços economicamente acessíveis, de acederem à cultura, ao desporto e ao lazer.

Pelo contrário, o que se verificou neste ano de 2022 foi a degradação das condições de vida e de trabalho dos jovens, o seu empobrecimento, o acentuar das suas dificuldades, devido ao brutal aumento do custo de vida em consequência da especulação, da guerra e das sanções.

Muitos dos problemas sentidos pela juventude aquando da aprovação deste ano europeu, para além de não vislumbrarem sequer qualquer solução, foram ainda adensados e agravados.

Também o Governo português, no seu acostumado seguidismo aos ditames de Bruxelas, pouco ou nada fez para evitar este cenário. Apresentou a tão pomposamente designada Agenda para o Trabalho Digno que, para além de não revogar as normas gravosas da legislação laboral, tolera a precariedade, não reduz a jornada de trabalho, nem garante a contratação colectiva. Questões que afectam severamente os jovens trabalhadores.

Vemos o constante desinvestimento nas funções sociais do estado, na educação, na saúde, na cultura. Tornando mais difícil o seu acesso por parte daqueles que menos têm e menos podem, em especial dos jovens.

Mais que da propaganda e das proclamações, os jovens precisam das opções políticas certas que valorizem os seus salários, que possam dar o mais firme combate à precariedade, promovam uma educação pública, gratuita e de qualidade, que assegurem    os seus direitos à criação e fruição cultural, ao desporto e ao bem-estar físico e mental.

Os jovens precisam de uma política patriótica e de esquerda que dê reposta aos seus justos anseios e aspirações, ao direito a ter direitos, a um futuro digno e a um mundo mais justo, mais solidário e de paz.



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