Greves prosseguem no Reino Unido

As festividades natalícias não travaram as greves dos trabalhadores de diversos sectores do Reino Unido e os sindicatos anunciaram que em Janeiro as paralisações vão continuar por aumentos salariais para enfrentar a inflação.

Continuam greves de trabalhadores ferroviários, da saúde e do serviço de fronteiras nos aeroportos

Milhares de ferroviários britânicos e de trabalhadores dos serviços de fronteiras nos aeroportos prosseguiram, na segunda-feira, 26, as suas greves para exigir ao governo aumentos salariais.

A paralisação dos ferroviários fez colapsar o transporte público, num período em que que milhares de pessoas regressavam a casa após as festas natalícias.

No caso dos membros da central sindical do Transporte Ferroviário e Marítimo, trata-se de um conflito envolvendo os maquinistas de comboios e a empresa Network Rail em torno de reivindicação de melhores salários e condições laborais.

Os transtornos de circulação durante o chamado Boxing Day, jornada dedicada a donativos aos pobres e que é celebrada na Grã-Bretanha no dia seguinte ao Natal, estenderam-se também aos comboios expressos que transportam passageiros até aos aeroportos. Estima-se que a greve levou a que as auto-estradas ficassem entupidas com mais de 15 milhões de automóveis, os quais, juntamente com os autocarros, constituíram alternativas perante a falta de comboios.

Por outro lado, continua a greve dos empregados dos serviços aeroportuários de imigração, movimento iniciado na semana passada para exigir melhorias salariais ao governo conservador, face à crescente inflação e à alta das tarifas de energia. O primeiro-ministro Rishi Sunak recusa quaisquer aumentos salariais no ano fiscal de 2021/2022.

Iniciadas na semana anterior, também prosseguiram as greves dos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla inglesa), incluindo o pessoal das ambulâncias, e dos empregados dos serviços postais.

«Greve até Maio»
Mark Serwotka, líder do sindicato de Serviço Público e Comercial, que abarca os agentes que controlam os serviços de fronteira nos aeroportos, afirmou que a paralisação das actividades laborais desse sector terá o seu ponto alto em Janeiro.

Em resposta a declarações do primeiro-ministro, segundo as quais não haverá aumentos salariais, o líder sindical afirmou à cadeia de rádio e televisão BBC que «contamos com um fundo para greves, pelo que podemos continuar esta greve além das festas natalícias, inclusivamente até Maio próximo».

Além disso, Serwotka assegurou que as acções de protesto dos sindicatos serão cada vez mais alargadas e fortes, até que o governo mude de atitude e se sente à mesa de negociações.

Mais paralisações no sector da saúde
Os trabalhadores das ambulâncias de Inglaterra e País de Gales fizeram no dia 21 uma greve por melhores salários e em protesto contra a falta de segurança dos pacientes. Juntaram-se a cerca de 10 mil membros do pessoal de enfermagem do NHS de Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte, que paralisaram pela segunda vez em menos de uma semana.

Em Inglaterra, oito dos 10 principais serviços de ambulâncias declararam acidentes graves devido à pressão a que estão submetidos os trabalhadores do sector – motoristas e socorristas. O tempo de resposta é o dobro do registado há dois anos.

As paralisações laborais, que continuam, preocupam os dirigentes dos hospitais, mas os serviços mínimos de urgência continuam disponíveis, tendo sido feitos apelos aos cidadãos para os utilizar com prudência e só em caso de necessidade vital. De qualquer modo, esperam-se perturbações nas respostas hospitalares, também por causa das greves dos paramédicos, pessoal administrativo, auxiliares de urgência e técnicos.

 



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