Manifestações pela paz e pela subida dos salários
Em Roma, Londres e Madrid realizaram-se grandes manifestações convocadas por organizações sindicais e movimentos sociais. Entre as exigências populares, contam-se a paz na Ucrânia e o aumento de salários dos trabalhadores.
Roma, Londres e Madrid foram palcos de protestos populares contra a guerra e a subida do custo de vida
Dezenas de milhares de pessoas participaram, no sábado, 5, em Roma, na marcha Europa pela Paz e exigiram negociações urgentes para pôr fim ao conflito na Ucrânia.
Sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais organizaram a manifestação no centro da capital italiana, tendo participado dirigentes partidários e de organizações como a Associação Nacional de Partisanos de Itália, a Comunidade de Sant’Egidio, Libera, Associação Cristã de Trabalhadores Italianos e Rede de Desarmamento, entre outras.
«A guerra deve parar imediatamente: basta de sofrimento. A Itália, a União Europeia e os seus Estados membros, assim como as Nações Unidas, devem assumir a responsabilidade das negociações», assinalavam faixas mostradas durante a marcha. Outros dísticos exigiam ao novo governo italiano o fim do envio de armas à Ucrânia.
Um dirigente sindical citado pela imprensa italiana realçou que «aqueles que vêem as armas como solução não defendem a paz e aqueles que falam de paz não podem falar também de armamento e investimento militar».
Sindicatos espanhóis exigem subida de salários
Em Madrid, no dia 3, os trabalhadores voltaram a sair à rua para denunciar o bloqueio do patronato à negociação colectiva e para exigir às organizações empresariais o aumento dos salários, assim como a inclusão nos convénios laborais de cláusulas de garantia salarial que mantenham o poder de compra.
Milhares de trabalhadores, de delegados sindicais idos de todo o país, participaram na manifestação convocada pelas Comisiones Obreras (CCOO) e pela União Geral de Trabalhadores (UGT) espanhola, para protestar contra a atitude «irresponsável e egoísta» do patronato, que aposta no congelamento dos salários face ao enorme aumento dos preços.
Os manifestantes advertiram que, face à recusa das propostas sindicais, a resposta continuará a ser a luta e a mobilização dos trabalhadores até que os patrões se sentem para negociar o aumento dos salários.
Eleições antecipadas exigidas em Londres
Exigir ao governo conservador do Reino Unido que antecipe as eleições e tome medidas contra o brutal aumento do custo de vida foram os principais objectivos da manifestação, no sábado, 5, em Londres, em que participaram dezenas de milhares de pessoas.
«Fora os conservadores, fora Rishi», gritaram os manifestantes, aludindo ao partido governante e ao primeiro-ministro Rishi Sunak, o terceiro inquilino do número 10 da Downing Street nos últimos dois meses, após as demissões de Boris Johnson e Liz Truss.
Os organizadores falam em «crise profunda» do governo e recusam que a escolha do primeiro-ministro tenha sido feita, pela terceira vez, por uma «pequena elite». A manifestação tinha assim como outro objectivo central a exigência de convocação de eleições.
Durante a marcha, que decorreu desde a margem Norte do Tamisa até à Praça Trafalgar, no centro de Londres, manifestantes empunhavam cartazes com a advertência «Não podemos suportar isto por mais dois anos», referindo-se às próximas eleições legislativas, previstas só para finais de 2024 ou princípios de 2025.
Ao protesto juntaram-se sindicatos, organizações ambientalistas e movimentos pacifistas.