Concelho de Beja sem rumo e sem estratégia
«Que projecto e visão estratégica tem o PS para Beja», interroga a CDU, num balanço de mandato. Perante a grave crise, exige-se poder reivindicativo para defender a população, as empresas e os trabalhadores do concelho.
«A cidade de Beja afunda-se numa total inércia»
«Ao contrário da propaganda que nos é apresentada com frequência pelo PS, o concelho definha e a cidade de Beja afunda-se numa total inércia, perdendo, até para os concelhos vizinhos, atractividade e capacidade de liderança para se afirmar como motor da região», acusa a CDU, num documento intitulado «5 anos de gestão do PS na Câmara de Beja: um concelho sem rumo e sem estratégia», subscrito pelos vereadores Vitor Picado, Fátima Estanque e Rui Eugénio.
Segundo os eleitos da Coligação PCP-PEV, o actual executivo do PS «não retirou dos resultados eleitorais que lhe tiraram a maioria absoluta qualquer ensinamento e os votos e mandatos atribuídos ao PSD não têm contribuído para a implementação de medidas que invertam este cenário».
«O PS tem esgotado a sua acção na execução de algumas obras, muitas delas de projectos e financiamento assegurado pela anterior gestão da CDU, que visam a reabilitação de equipamentos do concelho, que sendo importante, está longe de construir só por si uma estratégia de desenvolvimento», acusam os vereadores.
Exemplos preocupantes
Os protocolos de cedência de terrenos para a instalação de novas empresas no concelho são um bom exemplo do que se fala, assistindo-se ao abandono dos potenciais investidores, «muitas vezes desiludidos com a total incapacidade do município para, em tempo útil, responder e acompanhar as necessidades desses mesmos investimentos».
No plano da acção política, a CDU lamenta a «total subserviência partidária» por parte dos eleitos do PS no concelho aos ditames do Governo, não se ouvindo uma «palavra» sobre os investimentos estruturantes para a região, como é o caso das acessibilidades rodoviárias, ferroviárias, do aproveitamento do Aeroporto de Beja ou de melhores condições de acesso à saúde, da grave falta de médicos de família no concelho.
«A forma como foram abordadas as questões relacionadas com os trabalhadores do município e da Empresa Municipal de Água e Saneamento de Beja também ilustram a natureza e o tipo de política que a gestão do PS defende e pratica, alinhando em políticas contrárias aos interesses e direitos dos trabalhadores», alertam os vereadores, contestando, igualmente, «a ausência de preocupação com os problemas dos trabalhadores em geral», destacando-se «a conivência com um modelo agrícola que exaure recursos e que se afirma pela precariedade laboral e pela existência de condições indignas de alojamento».
As críticas estendem-se à «total ausência» de uma política cultural, demonstrada na candidatura apresentada pelo município para financiamento da programação do PAX Julia – Teatro Municipal, classificada a nível nacional como uma das piores.
Sessão pública
Para ontem, 26, ao final do dia, estava marcada uma sessão pública da CDU, com o tema «A alternativa que Beja precisa – Competência e confiança no futuro».