Despedidos da refinaria têm só promessas vãs

Um ano após o despedimento colectivo que se seguiu ao fecho da refinaria do Porto, a Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal faz um balanço do que aconteceu e do que ficou apenas prometido.

Estão 84 trabalhadores prestes a ficar sem subsídio de desemprego

O despedimento atingiu 137 trabalhadores, em Setembro de 2021. Depois de se reunir com entidades locais, a CCT deslocou-se à região, para apurar o que aconteceu desde então e, «sobretudo, saber o que foi feito por todos os actores envolvidos no crime ali perpetrado».

No comunicado que divulgou esta segunda-feira, dia 26, a estrutura representativa dos trabalhadores da principal empresa do Grupo GALP Energia destacou a situação de 84 daqueles profissionais especializados e experimentados, os quais continuam inscritos nos centros de emprego. Para a grande maioria destes desempregados, alertou a CCT, o subsídio de desemprego termina no início de 2023.

Mas existe ainda «um número indeterminado de trabalhadores que estão desempregados eque, por várias razões, não estão inscritos no Centro de Emprego».

«Todos os apoios e cuidados para com os trabalhadores despedidos eram prometidos pelo Governo», quando este e a administração da GALP «quiseram encerrar uma refinaria para sacar milhares de milhões de euros em fundos comunitários».

No fim de contas, «todas as promessas feitas resumem-se a pouco mais que uma dúzia de vagas para maquinistas da Refer» e mesmo assim,«com um grau de incerteza quanto ao seu preenchimento, embora digam que avançarão com formação que choram ser muito cara».

Se «o Governo foi cúmplice», «não podemos esquecer que foi a administração quem abandonou estes trabalhadores à sua sorte no meio de uma pandemia», acusa a CCT. «Perante todas as evidências e a urgência de apresentar soluções efectivas, que resolvam o problema», é exigida «a reintegração de todos os trabalhadores abrangidos pelo despedimento colectivo».

No comunicado, assinala-se que «especialistas, como a Wood MacKenzie, confirmam agora o que a CCT colocou desde o início», ou seja, «as refinarias têm lugar na transição energética, em particular aquelas com a componente petroquímica associada, como a Refinaria do Porto».

A CCT refere que «também tentou perceber no terreno o que é o “Matosinhos Future Hub”», anunciado para o local da refinaria. Concluiu que, «para já, não será mais que um nome e, sobretudo, um enorme embuste para justificar/amenizar o cenário desolador do gigantesco cemitério em que transformaram aqueles terrenos», afirma a Comissão Central de Trabalhadores, lembrando que na área se inclui «uma central de cogeração, em bom estado de operação».

Olhando para «toda a retórica em torno deste projecto, que dizem ser inovador», a CCT comenta que ele poderia ser construído «com a refinaria do Porto a laborar» e, «de preferência dessa forma». Isto, se fosse visto «numa lógica de transição energética e da descarbonização, num período de tempo tão alargado quanto o que a administração invoca para a sua implantação».

«Também nada foi concretizado» quanto ao futuro do parque logístico que funciona naquelas instalações.




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