«Discurso de defesa dos interesses das grandes potências europeias»
O deputado do PCP no Parlamento Europeu (PE) João Pimenta Lopes fez, no dia 15, uma declaração sobre o discurso do chamado «Estado da União», proferido pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen.
«Bem se pode dizer que se tratou de um discurso de defesa dos interesses das grandes potências europeias e dos grandes grupos económicos que representa», considerou o deputado comunista português.
Realçou que, sobre a guerra na Ucrânia, não houve «nem uma palavra com vista a uma necessária solução negociada para pôr termo a uma guerra que não devia ter começado e para repor a paz». Mais: embora reconhecendo «o pesado impacto e consequências das sanções», Ursula Von der Leyen «não deixou de fazer a apologia da guerra, insistindo num caminho que os povos estão a pagar com língua de palmo».
Sublinhou João Pimenta Lopes que a presidente da Comissão Europeia, aludindo à crise energética de há 50 anos, «fez por esquecer que então os salários cresceram acima da inflação» e não teve «nem uma palavra para a imperativa necessidade de aumentar salários para contrapor ao brutal aumento do custo de vida».
Sugerindo uma intervenção sobre os superlucros, que o sacrossanto mercado possibilita, o discurso não incluiu qualquer referência a «medidas efectivas e definitivas de regulação do mercado, de contenção de preços na energia e outros sectores, medidas aliás desaconselhadas pela própria Comissão Europeia», ainda que, para o deputado comunista, as consequências visíveis da liberalização exijam a recuperação do controlo publico de sectores estratégicos como a energia.
Tão-pouco teve uma palavra sobre a decisão do BCE de aumento das taxas de juro e dos impactos brutais previsíveis sobre Estados como Portugal limitando condições de investimento e sobre as famílias, com impactos com particular incidência na habitação.
Em suma, para João Pimenta Lopes, «a UE insiste na defesa a todo o custo do mercado, mesmo que sufocando os povos e deixando-os à mingua, impondo, em favor dos lucros de alguns, maiores desigualdades, pobreza e assimetrias».