Pacto Histórico define conquista da paz como primeiro grande desafio da Colômbia
Tomam posse no próximo domingo, 7, em Bogotá, o presidente e a vice-presidente da República, Gustavo Petro e Francia Márquez, eleitos pelo Pacto Histórico, coligação que integra forças alternativas e partidos de esquerda, incluindo o Partido Comunista Colombiano.
Trata-se, como destacam sectores da imprensa latino-americana, do primeiro governo progressista na Colômbia em 200 anos de história desse país.
Antecedendo a tomada de posse, a vice-presidente eleita, Francia Márquez, a primeira afrodescendente a ocupar esse cargo, efectuou visitas de trabalho a quatro países sul-americanos – Brasil, Chile, Argentina e Bolívia –, onde foi acolhida de forma calorosa.
Em La Paz, foi recebida pelo presidente Luis Arce («agora, os ventos do Sul sopram com mais força e fortalecem a Pátria Grande») e pelo vice-presidente David Choquehuanca e encontrou-se com o líder do Movimento ao Socialismo, Evo Morales. «Partilhámos experiências da longa luta pelos direitos dos mais pobres e excluídos das políticas neoliberais», resumiu o ex-presidente boliviano, enfatizando a necessidade de no futuro imediato caminharem unidos até à unidade e fraternidade da Pátria Grande.
Antes, no Brasil, reuniu-se com o ex-presidente e candidato presidencial Luís Inácio Lula da Silva, e no Chile e na Argentina foi recebida pelos presidentes Gabriel Boric e Alberto Fernández, além de ter tido oportunidade de trocar opiniões com organizações sociais, instituições, activistas e defensores dos direitos humanos.
Silenciar as armas
Durante o seu périplo, Francia Márquez reafirmou publicamente que a Colômbia viverá uma mudança a favor da paz, da dignidade, da justiça social, racial e de género e das preocupações ambientais. O novo governo, sob a liderança de Gustavo Petro, enfrentará esses desafios «com responsabilidade, os pés fincados na terra, amor e compromisso».
O Pacto Histórico impulsiona um novo projecto de país, pensado a partir de baixo, da raiz e da periferia, explicou. «O maior desafio que temos é conseguir a paz, silenciar as armas e atacar as causas que geraram o conflito armado, as quais têm a ver com a fome, a falta de garantias dos direitos, o abandono pelo Estado e o racismo», asseverou.
«Retomaremos os acordos assinados sem demoras. Temos de acabar com a guerra e para isso restabeleceremos a mesa de diálogo. Também é necessário discutir a política contra as drogas, que durante muitos anos foi ineficaz e serviu para acumular o dinheiro nos bancos e os mortos nos territórios», acrescentou.
A líder colombiana defende também uma educação gratuita e de qualidade, prestar mais atenção aos camponeses, defender a igualdade e responder às reivindicações das mulheres, populações diversas, povos indígenas, grupos étnicos, jovens e regiões historicamente esquecidas e excluídas.