Visita de Biden ao Médio Oriente para reforçar domínio na região

Reforçar a hegemonia dos EUA no Médio Oriente, renovar o apoio total a Israel, dinamizar alianças militares entre Telavive e Estados árabes, levar a Arábia Saudita a aumentar a produção de petróleo, tentar isolar o Irão e barrar o caminho à China e Rússia – foram objectivos da visita de Joe Biden à região.

Palestinianos acusam EUA de autorizar Israel a completar projecto colonial nos territórios ocupados

O presidente dos EUA deslocou-se na semana passada a Israel, à cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada, e a Djeddah, na Arábia Saudita.

Em Jerusalém, Joe Biden assinou uma Declaração Conjunta de Associação Estratégica entre EUA e Israel, que forças palestinianas já consideraram «um novo instrumento da ocupação». O texto reitera o compromisso da Casa Branca em manter a supremacia militar do Estado sionista na região e ameaça utilizar a força contra o Irão e a resistência palestinianas.

Em Djeddah, assistiu à cimeira dos seis países do Conselho de Cooperação do Golfo, num encontro em que participaram também os dirigentes do Egipto, Jordânia e Iraque. Tratou-se de uma reunião árabe-norte-americana, com Washington a procurar afirmar o controlo sobre os recursos energéticos na região e a pretender «bloquear» o caminho à China e à Rússia, aspirando dificultar as relações de Pequim e Moscovo com os países do Médio Oriente.

«Enganos e mentiras»
Durante a sua fugaz estada na cidade cisjordana de Belém, onde se reuniu com o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmud Abbas – que reafirmou as legítimas aspirações do povo palestiniano a ter um Estado com capital em Jerusalém Leste –, Biden disse continuar a defender a solução de dois Estados para pôr fim ao conflito, embora «não num horizonte próximo».

Diversas forças políticas palestinianas criticaram a deslocação do presidente norte-americano a Israel e à Cisjordânia ocupada.

O Partido do Povo Palestiniano instou Abbas a implementar de imediato as resoluções aprovadas pelo Conselho Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), as quais preconizam a suspensão dos acordos assinados com Israel, entre eles o seu reconhecimento. «Os EUA são o verdadeiro obstáculo para concretizarmos os direitos do nosso povo», realçou o PPP.

A Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP) alertou para «os perigos dos jogos de palavras, os enganos e as mentiras» do presidente dos EUA.

Já a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) advertiu que Biden não se comprometeu em nada com os direitos do povo palestiniano e «vendeu palavras venenosas e sem valor». Na realidade, denunciou, «deu luz verde a Israel para completar o seu projecto colonial nos territórios ocupados, incluindo Jerusalém Oriental». Face à situação, a FPLP apelou à mobilização nacional para defender os direitos nacionais e históricos dos palestinianos e propôs o cancelamento de todos os acordos com Israel.

PC Libanês condena
O Partido Comunista Libanês (PCL) condenou a visita do presidente dos EUA ao Médio Oriente, com o propósito de «formar uma aliança militar entre Israel e alguns países árabes e expandir o ciclo de guerras, conflitos e tensões, visando renovar a política de hegemonia dos EUA na região e o controlo do petróleo e gás». Propósito, acentua, que «não é do interesse dos povos árabes para alcançar a sua libertação nacional e o progresso político, económico e social».

Outro perigo resultante da visita é o «apoio absoluto» a Israel para «resolver a questão palestiniana», garantindo a supremacia militar israelita, classificando a resistência palestiniana de «terrorista» e confirmando o reconhecimento, por parte dos EUA, de Jerusalém como «capital do poder ocupante».

 

 



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