Sobre a Assembleia da EuroLat
A Assembleia parlamentar Euro-latino-americana (EuroLat), que integra 75 deputados do Parlamento Europeu e 75 deputados de parlamentos nacionais dos países da América Latina e das Caraíbas, reuniu em Buenos Aires, na Argentina, de 12 a 14 de Abril.
A reunião da Mesa Directiva desta Assembleia, no dia 11 de Abril, pautou pela ausência da direita e extrema-direita espanholas numa frustrada tentativa de impedir a legítima participação dos deputados da Assembleia Nacional da Nicarágua na reunião da EuroLat. Uma manobra previamente anunciada que representou um claro desrespeito pela soberania deste país e pelos seus representantes. Como afirmámos desde o primeiro momento, é inaceitável que se tente condicionar a participação de um Estado soberano, tanto mais num fórum destinado a aprofundar as relações entre os países que integram a UE e os países da América Latina e das Caraíbas.
Existindo a possibilidade, em cada assembleia da EuroLat, de serem debatidas resoluções com carácter de urgência, uma parte dos representantes do Parlamento Europeu (PE) propôs que fosse votada uma tomada de posição sobre a guerra na Ucrânia com um conteúdo análogo à anteriormente adoptada no PE. Perante as dificuldades encontradas pela parte do PE em impor a sua posição à parte latino-americana e caribenha, houve quem não deixasse de recorrer a vários artifícios, incluindo à chantagem. No entanto, não tiveram êxito na sua tentativa de forçar uma declaração com uma visão unilateral que ocultasse todo o processo de como se chegou à actual situação no Leste da Europa, branqueando as responsabilidades dos EUA, da NATO e da UE na escalada de tensão e confrontação, bem como as responsabilidades do próprio regime ucraniano, nomeadamente no desencadear da guerra no Donbass que tem lugar desde há oito anos.
A tentativa de condicionar o posicionamento autónomo e independente da parte latino-americana e caribenha encontrou a firme oposição da maioria dos seus deputados, que não cedeu às pressões mesmo perante a ameaça de retirar da ordem de trabalhos a questão das Malvinas, de grande importância não só para a delegação argentina, anfitriã da reunião, como para os latino-americanos e caribenhos, ou perante a possibilidade de colocar em causa a realização da próxima assembleia em Praga, na segunda metade do ano.
Nas várias votações, todas as resoluções sobre esta questão – que foram votadas separadamente por cada uma das partes (parte PE/ parte latino-americana e caribenha) – acabaram rejeitadas, por uma ou por outra das partes. Mas as forças políticas que no PE repetem em coro o discurso da escalada da guerra e da espiral da confrontação económica, política e militar, hoje imposto como pensamento único, saíram claramente derrotadas.
Tal como, em Portugal e no PE, o PCP defende a paz e diz não à escalada da guerra, de armamento e de confrontação, também na América Latina e nas Caraíbas muitos são aqueles que afirmam o caminho da paz, a necessidade de alcançar um cessar-fogo e uma solução negociada para pôr fim a uma longa guerra que nunca deveria ter começado.