Aumentam protestos de massas contra ditadura militar no Sudão

Intensificam-se no Sudão as manifestações populares contra a ditadura militar e pela transferência do poder para um governo civil democrático. As principais forças da oposição, entre as quais o Partido Comunista Sudanês, procuram estabelecer uma plataforma comum de acção.

Forças progressistas sudanesas exigem formação de governo civil democrático

O Sudão continua a testemunhar a intensificação dos protestos populares contra a ditadura militar, revela uma nota informativa do Partido Comunista Sudanês (PCS) que actualiza a situação política no país.

As principais exigências dos protestos populares continuam a ser a completa transferência do poder para um governo civil democrático. Mas os manifestantes insurgem-se também contra as políticas económicas impostas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial, assim como contra a repressão crescente e a negação de direitos democráticos e liberdades civis. A libertação dos presos políticos é outra das exigências dos manifestantes.

Ao mesmo tempo que o protesto de massas continua imparável desde o golpe de Estado de 25 de Outubro de 2021, nota-se que o regime não conseguiu, até agora, reunir apoio interno e recorreu à repressão brutal, matando mais de 90 pessoas e ferindo mais de dois mil manifestantes. Estas pesadas medidas repressivas incluem tortura, violação, roubo, ataques a hospitais, impedindo o pessoal médico de cumprir os seus deveres, e a detenção de pacientes feridos.

Na sexta-feira, 18, indica a nota dos comunistas sudaneses, «bandidos do regime e milícias» atacaram um comício organizado pelo PCS em Omdurman [uma das zonas de Cartum, a capital] usando gás lacrimogéneo e facas, de que resultaram dezenas de feridos entre os participantes.

Por um governo

civil democrático

Os contínuos e grandes protestos de massas abriram brechas no regime militar e contribuíram para o seu maior isolamento. Um crescente número de pessoas junta-se ao movimento de protesto. As principais forças da oposição – o PCS, os Comités de Resistência e a Aliança de Profissionais – «redobram esforços para chegar a um acordo sobre uma plataforma e um programa rumo a um futuro democrático para o país e para estabelecer um centro unificado que dirija a acção das massas populares em direcção ao poder político».

Por outro lado, alertam os comunistas sudaneses, «potências internacionais e regionais estão a trabalhar lado a lado com a reacção local, incluindo sectores militares, para impor um acordo que aumenta o papel dos civis mas mantém o essencial do carácter repressivo e parasita do regime».

Na nota, datada de 19 de Março e subscrita pelo secretário para a Informação, Fathi Alfadl, o PCS insta os partidos comunistas e operários a aumentar ainda mais as suas acções de solidariedade com a luta do povo sudanês visando «derrubar a ditadura e estabelecer um governo civil democrático que dirija o país na concretização dos objectivos do período de transição».

 



Mais artigos de: Internacional

Agrava-se a repressão sobre o PAIGC

Pela terceira vez em poucas semanas, as autoridades governamentais da Guiné-Bissau forçaram o adiamento da realização do 10.º Congresso do PAIGC. A polícia atacou a sede do partido, em Bissau, e impede o acesso dos militantes às instalações.

MLSTP reúne Congresso e defende maior proximidade com populações

O 6.º Congresso Ordinário do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), partido maioritário no governo do país africano, decorreu no sábado, 19, em São Tomé, com a participação de cerca de 600 delegados. Numa eleição interna à qual concorreram mais dois candidatos, Jorge Bom...

Ataques à liberdade, atropelos à democracia

A República da Guiné-Bissau comemora, no próximo ano, meio século de existência. A proclamação do novo Estado, em 1973, culminou a luta de libertação nacional, dirigida pelo Partido Africano da Independência da Guiné e de Cabo Verde (PAIGC), fundado em 1956 por Amílcar Cabral e companheiros. Como as guerras...