Prosseguem as manifestações populares contra o golpe de Estado militar no Sudão

Lusa

A repressão dos protestos populares contra o golpe de Estado militar no Sudão provocou mais uma vítima, no dia 30 de Janeiro, elevando para 79 o número de manifestantes mortos pelas forças policiais, desde 25 de Outubro do ano passado.

Trata-se do primeiro civil abatido após, na véspera, as autoridades de segurança de Cartum terem reconhecido o direito de manifestação mas proibido expressamente os protestos no centro da capital, em especial junto do palácio presidencial.

Desde há três meses, quando se deu o golpe chefiado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, que se realizam com regularidade, nas principais cidades do país, manifestações populares exigindo o retorno dos militares aos quartéis e o estabelecimento de um governo civil que complete a transição para a democracia e retire o Sudão da instabilidade política em que se encontra após o derrube, em Abril de 2019, do então presidente Omal al-Bashir.

A contagem das vítimas da repressão policial é feita pelo chamado Comité dos Médicos, um grupo independente e crítico de al-Burhan, que governa o país através do Conselho Soberano de Transição, a instância máxima até à celebração de eleições, provavelmente em 2023.

A mais recente vítima mortal da repressão foi um homem de 27 anos, que participava num protesto na capital, no passado domingo. Além de Cartum e da sua cidade gémea de Omdurman, outras localidades sudanesas como Gedaref, Kessala e Wad Madani (no leste), Darfur (no oeste), Kosti (sul) e Dongola e Atbara (norte) foram palco de manifestações com a participação de milhares de pessoas.

A Associação dos Profissionais e os Comités de Resistência, com a participação do Partido Comunista do Sudão, estiveram entre as principais forças dinamizadoras do levantamento popular contra o ex-presidente al-Bachir e são também responsáveis pela actual mobilização contra o golpe militar.

A crise sudanesa agravou-se no começo de Janeiro com a renúncia do primeiro-ministro, Abdalla Hamdok, que informou os generais golpistas da impossibilidade de formar um novo governo. Após o golpe militar de Outubro de 2021, Hamdok permaneceu em prisão domiciliária até que, em 21 de Novembro, assinou um acordo com al-Burhan para o retorno do processo de transição e a realização de eleições no próximo ano.

A Organização das Nações Unidas e a União Africana têm pressionado, sem êxito, autoridades militares e políticos civis a retomar o diálogo sobre o processo de transição.

Golpe de Estado
no Burkina Faso

O Burkina Faso foi suspenso de todas as actividades no quadro da União Africana devido ao golpe de Estado levado a cabo a 24 de Janeiro e que derrubou o presidente Christian Kaboré, que foi detido.

A sanção surge dias depois de uma junta militar ter assumido o poder no país africano. Em menos de um ano, foi o terceiro golpe de Estado na África Ocidental – em 2021, os militares tomaram o poder no Mali e na Guiné.

Também a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) condenou o golpe em Uagadugu e suspendeu o Burkina Faso, presidido agora pelo tenente-coronel Paul-Henri Damiba.

 



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