1950 – Estreia de «As Mãos de Eurídice»
Da autoria de Pedro Bloch, médico foniatra (estudo da voz, da fonação e dos distúrbios associados), escritor, jornalista, dramaturgo e compositor, a peça «As Mãos de Eurídice» é considerada o primeiro monólogo interpretado no Brasil. Primeiro grande sucesso do autor, estreou no Pen Clube do Brasil, protagonizada por Rodolfo Mayer, um dos monstros sagrados do teatro brasileiro. Conta a história de um escritor, Gumersindo Tavares, que regressa frustrado a casa após uma longa ausência em que viveu enlouquecido de paixão por Eurídice, e não encontra ninguém. A porta está fechada, não há resposta à sua chamada, nos bolsos não encontra a velha chave; no seu crescente desespero começa a falar com o público, que integra na história. Mayer consagra-se no papel de Gumercindo, mantendo o espectáculo no seu repertório durante mais de 20 anos. A peça tornou-se posteriormente um fenómeno mundial. Autor de cerca de 30 peças encenadas, de reconhecido valor humanista, Pedro Bloch considera que «só existe um género de teatro: o que se comunica intensamente com a plateia, o que extravasa o palco. [...] Quem não alcança esse tipo de diálogo deveria adoptar outro género menos implacável, pois o teatro é a exposição da alma nua aos olhos e critério de mil juízes. Género é circunstancial».