Trabalhadores em França contra a sobre-exploração
Iniciou-se a 25 de Outubro, em França, um movimento de greve de trabalhadores indocumentados que reclamam a regularização da sua situação e denunciam a sobre-exploração de que são vítimas.
A CGT apela à unidade de todos os trabalhadores
O protesto iniciou-se na segunda-feira, 25, com mais de 200 trabalhadores estrangeiros sem documentos a ocuparem as suas empresas em oito localidades da Ilha-de-França, onde se situa a capital, Paris.
Entregadores, operários, trabalhadores da recolha de resíduos, profissionais de várias áreas com situações altamente precárias organizam este protesto com a central sindical CGT exigindo a sua regularização e um efectivo combate às formas mais extremas de exploração de que frequentemente são alvo. O facto de não terem a sua situação regularizada torna estes trabalhadores presa fácil de múltiplas discriminações, de vínculos laborais mais frágeis e de condições de trabalho mais degradantes, realça a CGT, lembrando que isso não impediu que a maioria deles tenha estado na «linha da frente» do auge da epidemia de COVID-19.
A central exige a regularização imediata destes trabalhadores: «Regularizá-los é lutar contra o trabalho oculto e a precariedade na sociedade, é elevar as condições de trabalho de todos.» A CGT reafirma o princípio da igualdade salarial, considera os trabalhadores indocumentados como parte integrante da classe laboriosa do país e apela à unidade na luta pela defesa e conquista de direitos, que considera «mais relevante do que nunca».
A central sindical marca, assim, uma posição firme no debate sobre imigração que atravessa a sociedade francesa, dominada em grande medida pelas concepções xenófobas da extrema-direita.
Preservar a memória
A CGT evocou o 80.º aniversário das execuções de 22 de Outubro de 1941, quando 48 prisioneiros, entre eles vários sindicalistas, foram assassinados pelas tropas nazi-fascistas como retaliação pela morte de um oficial alemão.
Na cerimónia oficial, em que participaram milhares de pessoas, interveio o Secretário-geral da central sindical, Philippe Martinez, que lembrou a mensagem de um dos sindicalistas assassinados, Jean Pierre Timbaud, que poucas horas antes da sua execução escreveu: «A minha morte terá servido um propósito.» O dirigente sindical realçou que honrar a memória deste e de outros heróis significa reflectir e aprender com o seu exemplo e com a luta e valores a que dedicaram as suas vidas. Martinez alertou ainda para o necessário combate ao ressurgimento de concepções e práticas xenófobas, racistas e fascizantes.
A CGT promoveu um encontro em Nantes, na véspera das comemorações oficiais, em que participaram 200 filiados.