Presidente do Peru promete eliminar legislação anti-laboral
O novo presidente da República do Peru, Pedro Castillo, reforça os laços com organizações sindicais e assegura que vai eliminar as leis lesivas dos direitos dos trabalhadores.
Pedro Castillo dialogou com dirigentes das centrais sindicais peruanas
O presidente do Peru, Pedro Castillo, assegurou que o seu governo eliminará as leis que permitem a repressão dos trabalhadores e apoiou o ministro do Trabalho, Íber Maraví, cujo afastamento é exigido por sectores da oposição de direita.
Castillo interveio num encontro com centenas de dirigentes das centrais sindicais peruanas, realizado no dia 25, no moderno Centro de Convenções de Lima, utilizado habitualmente para reuniões políticas e empresariais de alto nível e onde agora se ouviram pela primeira vez temas e exigências laborais.
«O nosso governo vai eliminar as leis repressivas e agressivas que atentem contra os direitos laborais e, além disso, vamos dar aos trabalhadores todas as facilidades para que tenham organizações unidas, firmes e intervenientes a nível nacional, de modo a que ninguém fique para trás e todos sejam escutados», asseverou.
No denominado «I Encontro do governo do povo com as organizações sindicais», o presidente lembrou que as actuais leis laborais foram aplicadas para calar as vozes dos representantes dos trabalhadores. Pediu ao ministro Maraví que «de uma vez por todas, sejam eliminadas essas leis repressivas contra as massas que reclamam direitos laborais» e propôs coordenar uma agenda comum entre o governo e as centrais sindicais para que os trabalhadores recebam um tratamento igualitário. Por outro lado, apelou à unidade e à consolidação da organização da classe operária e criticou as modalidades de contratação precária de trabalhadores com direitos laborais diminuídos.
O presidente peruano assinalou que o ministro Maraví «conhece de perto o que sofre um trabalhador e o que luta por condições laborais» e afirmou que «nós não podemos perder tempo com coisas vagas, com coisas vãs», numa aparente alusão à pressão política e mediática da direita para afastar aquele membro do governo. O parlamento peruano, de maioria opositora, pretende ouvir Maraví e o primeiro-ministro, Guido Bellido, cuja demissão é também exigida pelos mesmos sectores de direita.
Governos anti-imperialistas
O ex-chefe do Estado da Bolívia, Evo Morales, reafirmou a sua solidariedade com Cuba e Venezuela e rejeitou as acusações da direita contra ambos os países, durante um encontro com jovens na cidade de Arequipa, no sul do Peru.
«O nosso respeito e a nossa admiração por Cuba, antes com Fidel [Castro], agora com Miguel [Díaz-Canel], as nossas saudações a essa Cuba libertada, independente e soberana», afirmou Morales, recebendo os aplausos de centenas de jovens, convocados pelo partido Peru Livre, no governo.
O dirigente boliviano, líder do Movimento ao Socialismo (MAS), também se solidarizou com a Venezuela, «antes com Hugo Chávez, agora com Nicolás Maduro», e destacou que na região latino-americana «continuam a aparecer governos de esquerda, governos anti-imperialistas». E «não há que ter medo das acusações da direita latino-americana, que quer diabolizar Cuba, Venezuela, os partidos de esquerda», disse, apelando a que se combata com força e energia essa campanha de diabolização orientada pelos EUA.
Apresentando uma exposição intitulada «A juventude e a construção do Estado Plurinacional da Bolívia do século XXI», Morales referiu que, no seu país, desde há 500 anos, o movimento indígena se viu ameaçado até ao extermínio e foi discriminado, marginalizado, vilipendiado. E explicou que na Bolívia «decidimos romper com a doutrina norte-americana com independência sindical, independência ideológica» e com medidas como a nacionalização dos recursos naturais, o que permitiu o avanço económico do país. Enfatizou que a luta foi travada contra «essas empresas transnacionais que nos roubam os recursos naturais» e que a sua nacionalização mudou a situação económica da Bolívia.