Raul Castro, antifascista e construtor da democracia
Raul Castro iniciou a sua actividade política no início da década de 40
No dia 25 deste mês passou o centenário do nascimento de Raul Castro, destacado antifascista. Nascido no Porto, no seio de uma família que durante toda a vida lutou pela liberdade, a democracia e o socialismo, Raul Castro desenvolveu actividades integradas no PCP a partir de 1942, vindo a integrar o Movimento de Unidade Democrática Juvenil e a ser preso em 1947, após a sua licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra.
Condenado a pena suspensa, viu o Ministério Público recorrer da sentença, alegando que nos «crimes políticos» não se podia suspender a pena, o que originou não só a sua confirmação, como o seu agravamento, com as famigeradas medidas de segurança, que não viriam contudo a ser aplicadas.
Advogado, politicamente empenhado, este seu caso terá por certo contribuído para a grande disponibilidade que demonstrou na defesa de dezenas de presos políticos nos Tribunais Plenários.
Ainda em vésperas do 25 de Abril, em Dezembro de 1973, defendeu num Tribunal de Polícia 90 estudantes, presos durante uma reunião académica. A sua alegação para o Tribunal da Relação do Porto viria a ser editada, em Março de 1974, com o título Reunião ilegal ou acusação irreal?.
Raul Castro foi um dos 72 advogados do Porto e de Lisboa que, em 1957, reclamaram um inquérito à PIDE.
Intensa intervenção
A sua intervenção política também foi feita pela colaboração, sob pseudónimos, nos jornais Pensamento e O Diabo e em vários títulos regionais, entre os quais a Gazeta de Coimbra.
Participou no II Congresso Republicano de Aveiro e no III Congresso da Oposição Democrática, também em Aveiro, em Abril de 1973, tendo apresentado uma tese Ideologia e Democracia – Para desmascarar a desmontagem de mitos ideológicos do corporativismo.
Após o 25 de Abril, prosseguiu a sua acção na construção e defesa da democracia. Foi autarca na Câmara Municipal do Porto, deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República, durante quinze anos.
Foi vice-presidente do Movimento Democrático Português-Comissão Democrática Eleitoral (MDP-CDE) e, mais tarde, viria a integrar a Associação Intervenção Democrática (ID), tendo sido membro da sua direcção.
Raul Castro faleceu no dia 21 de Agosto de 2004.
A sua personalidade e as suas convicções ficaram expressas na sua escrita e na sua intervenção política.