Prossegue degradação do serviço postal sob o olhar cúmplice do Governo

O desmantelamento da rede postal nacional continua a ser executado pela administração dos CTT. O Governo assiste impávido e sereno e, pior, até acha que está em curso um processo de «modernização e investimento».

Com a privatização deteriorou-se o serviço prestado pelos CTT

Uma das faces (ainda que não a mais visível) dessa contínua destruição é o encerramento e concentração dos Centros de Distribuição Postal (CDP), estruturas onde a correspondência é concentrada para ulterior distribuição pelos carteiros nos seus giros.

Processo esse de concentração que tem contado com a cumplicidade não apenas do Governo mas de todos os que no Parlamento têm defendido a gestão privada dos CTT (como PSD, CDS, IL e Chega), e que é animado exclusivamente por «estritas razões economicistas», como o PCP tem insistentemente denunciado.

As suas consequências negativas são, aliás, bem conhecidas, tendo, inclusivamente, levado a bancada comunista, em Janeiro deste ano, a questionar o Governo sobre o que pensa dessa destruição resultante das orientações dos responsáveis da empresa e seus impactos para os trabalhadores, utentes e o serviços postal. Entre essas consequências, recorde-se, está o aumento da distância a percorrer pelos trabalhadores (atrasando ainda mais a distribuição postal), a degradação das suas condições de trabalho e remuneratórias, o maior abandono das regiões menos densamente povoadas, com isso agravando o processo de desertificação do Interior.

O amparo do Governo
Ora, perante esta realidade, qual foi a resposta do Governo à bancada comunista? Pondo de lado o facto de ter sido tardia, quase seis meses depois (a 14 de Julho), o que nela sobressai é a confessa e completa cobertura do Governo à trajectória de degradação do serviço postal seguida pela administração dos CTT.

«A rede postal e logística dos CTT tem vindo a ser objecto de um plano de modernização e adequação às novas necessidades, para o que tem sido igualmente objecto do maior investimento», começa por referir o Gabinete do ministro das Infra-estruturas e da Habitação, numa resposta que é toda ela um panegírico ao trabalho da empresa.

Sem qualquer sentido crítico, afirma-se que os CTT têm vindo a consolidar, renovar e a ampliar a área de vários dos actuais CDP, adequando-os à volumetria deste novo perfil de tráfego [volumes de encomendas], reforçando a capacidade de cumprir com padrões de qualidade cada vez mais exigentes». E, pasme-se, sublinha-se que dessa forma vêm «melhorando as condições de trabalho dos carteiros; reforçando a proximidade à população».

Na missiva de resposta aos deputados comunistas chega-se ao ponto de sublinhar que a «modernização e investimento», «não só traduz uma aposta da empresa no Serviço Postal Universal, como é essencial para melhorar a qualidade do serviço postal e as condições de trabalho dos carteiros».

E contra todas as evidências, é deixada a garantia de que «em circunstância alguma há um atraso da distribuição postal e uma degradação das condições de trabalho e remuneratórias dos carteiros».

Razão tem, pois, o PCP, quando afirma que é um imperativo nacional, de soberania, coesão territorial e justiça social, iniciar o processo de recuperação do controlo e gestão do serviço postal universal por parte do Estado, através da reversão da privatização dos CTT.

 



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