Bolseiros de investigação contestam exclusão e precariedade

Bolseiros de investigação exigiram o prolongamento do prazo de atribuição de bolsa, a desburocratização do processo e a sua integração nas carreiras científicas.

A ABIC quer a prorrogação de todas as bolsas em pelo menos três meses

Lusa

O protesto convocado pela Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) sob o lema «investigação confinada, bolsa prorrogada» decorreu dia 14 frente ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), em Lisboa, e teve semelhante expressão junto às reitorias das universidades do Porto e Coimbra. Em causa está o prolongamento das bolsas correspondente ao período de confinamento de 2021, «marcado por avanços e recuos contínuos e pela inexistência de respostas às reais necessidades dos bolseiros, que viram o seu trabalho e as suas vidas ficar em suspenso durante vários meses», denunciou a ABIC.

A organização representativa dos bolseiros reivindica que seja automática «a prorrogação de todas as bolsas em três meses e em maior duração nos casos aplicáveis», aliás conforme acordado em Maio passado após reunião com o ministro, Manuel Heitor.

Sucede que a tutela deu o dito pelo não dito e «a mais recente solução apresentada pelo MCTES mais não é do que a criação de um mecanismo desnecessariamente burocrático, que, no final, apenas vai garantir a exclusão de um elevado número de bolseiros», considera a ABIC.

Contas feitas, com os procedimentos agora impostos defraudando as expectativas dos bolseiros e as garantias dadas por Manuel Heitor, podem ficar de fora cerca de 5300 profissionais não financiados directamente pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, calcula ainda a ABIC.

Além de «lamentar que esta questão se tenha transformado numa disputa de vários meses com um fim que se antevê muito pouco favorável para quem se deparou (e depara) com entraves significativos à execução dos seus planos de trabalho», a ABIC insiste que os bolseiros de investigação científica continuem a não dispor dos mais básicos direitos sociais e se mantenham na dependência de candidaturas sucessivas a vínculos precários para concluir projectos, pelo que pretende a integração daqueles profissionais nas carreiras respectivas instituições do Sistema Científico e Tecnológico Nacional.



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