Castillo defende governo de unidade no Peru
Mais de uma semana após a segunda volta das eleições presidenciais, no dia 6, Pedro Castillo ainda não tinha sido proclamado vencedor, aguardando a resolução da contestação dos resultados apresentada por Keiko Fujimori.
Derrotada nas urnas, direita contesta resultados eleitorais
Na segunda-feira, 14, Pedro Castillo continuava a liderar a contagem com uma vantagem já impossível de superar pela sua adversária de direita, segundo dados actualizados.
De acordo com a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), com 99,935% das actas contabilizadas, Castilho tinha uma vantagem de mais de 49 mil votos sobre Fujimori.
O candidato de Peru Livre, apoiado pela esquerda, assegurava 50,14% dos votos válidos, com oito milhões, 883 mil, 185 votos; enquanto a candidata do partido Força Popular, neoliberal, contava com 49,86%, cerca de oito milhões, 784 mil votos.
Assim, Castillo é o vencedor da eleição presidencial, pois com 0,065% de actas por processar é matematicamente impossível a Fujimori superar a diferença.
Esta certeza, provável desde há dias, levou presidentes (como os da Bolívia, Luís Arce; da Argentina, Alberto Fernández; da Nicarágua, Daniel Ortega), ex-presidentes (Lula da Silva, Rafael Correa, José Mujica) e organizações como o Grupo de Puebla, a felicitar Castillo pela vitória. Este assegurou que respeitará a democracia e a Constituição e trabalhará pela a estabilidade económica do país.
Já o ex-presidente boliviano Evo Morales alertou que no Peru, com a exigência pela direita da revisão de actas eleitorais, esconde-se um plano golpista «para roubar o triunfo ao povo peruano, que elegeu o seu governo nas urnas com dignidade e soberania».
Governo de unidade
O porta-voz de Castillo para a economia, Pedro Francke, instou os peruanos a aguardar com calma a proclamação do vencedor das presidenciais e a abster-se de acusações de fraude infundadas e de assédio e pressões sobre as autoridades eleitorais.
«A população peruana exige calma, que o processo eleitoral seja finalizado e que as forças políticas façam um esforço de entendimento para poder constituir um governo de unidade nacional em que todos estejamos orientados numa só direcção, que é resolver os grandes problemas do Peru», afirmou.
Precisou que nesse governo deveriam participar sectores sociais, empresariais e até outras forças políticas, avisando que a instabilidade prejudica a economia e alarma os investidores. «As nossas ideias centrais estão abertas a uma grande coligação que faça as mudanças de que o Peru necessita», expressou o membro do movimento Novo Peru, aliado de Castillo.
Deixou claro também que «não queremos o mesmo modelo económico, nem manter a mesma política económica (neoliberal)» e que o povo peruano deseja mudanças, combater as desigualdades, criar emprego digno para todos, apoios às pequenas empresas e verbas para a saúde. Disse ainda que se deve abordar com urgência as prioridades do país, tais como acelerar a vacinação contra a COVID-19 e reactivar a economia face à grave situação causada pela pandemia.