Resolução do Parlamento Europeu é «intervencionista», denuncia Cuba
A maioria dos deputados do Parlamento Europeu (PE) aprovou uma resolução sobre Cuba, prontamente rejeitada por responsáveis do país caribenho, que a consideram «espúria e intervencionista». Deputados do PCP no PE votam contra e denunciam mais um «exercício de hipocrisia sobre democracia e direitos humanos».
Mais um exercício de hipocrisia sobre democracia e direitos humanos
«Uma vez mais, tem lugar no Parlamento Europeu um exercício de hipocrisia sobre democracia e direitos humanos. Se este Parlamento se preocupasse verdadeiramente com os direitos humanos, estaria a exigir o fim do criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro que há 62 anos os Estados Unidos da América impõem a Cuba e ao seu povo», afirmou Sandra Pereira, deputada do PCP no PE, intervindo no dia 10. Um bloqueio que a Administração Trump cruelmente intensificou mesmo no contexto da pandemia de COVID-19 e que a Administração Biden mantém, realçou.
«Sejamos sérios! Na verdade, este debate tem outros propósitos: visa pôr em causa os avanços na normalização das relações da União Europeia com Cuba, com a assinatura do Acordo de Diálogo e Cooperação, e procurar obstaculizar a finalização da sua ratificação; e pretende criar o pano de fundo para promover novas e inqualificáveis manobras de ingerência contra Cuba e de interferência nas decisões que só ao seu povo cabe soberanamente tomar» – denunciou a deputada comunista portuguesa.
Da tribuna do PE, Sandra Pereira expressou solidariedade com Cuba e o seu povo e enalteceu «o seu exemplo de soberania, resistência, perseverança, coerência, coragem e dignidade».
Cuba reafirma carácter independente e soberano
O presidente Miguel Díaz-Canel condenou a resolução aprovada no PE contra Cuba e reafirmou o carácter livre, independente e soberano da ilha socialista.
«Falta dignidade aos que mentem e caluniam, submetidos ao mandato imperial na sua frustrada obsessão de destruir a Revolução Cubana. Que triste papel desempenham! Não se esqueçam de que Cuba é livre, independente e soberana», escreveu o dirigente cubano na sua conta do Twitter. Além disso, colocou um link para o diário Granma, que publicou a declaração emitida pela Assembleia Nacional do Poder Popular, o parlamento cubano, na qual qualifica de espúria e intervencionista a resolução do PE, promovida por partidos da extrema-direita espanhola.
Sublinha o texto do parlamento cubano que essas forças políticas não têm autoridade moral alguma para julgar Cuba e transportaram para o órgão legislativo comunitário as suas querelas políticas internas contra o actual governo de Madrid.
O parlamento cubano repudia «o triste papel do PE como refém de um pequeno grupo de eurodeputados da extrema-direita obcecados em destruir a Revolução Cubana e que mantêm um comprovado vínculo com organizações radicadas em Miami financiadas pelo governo dos EUA».
Faca à «retórica violenta, vulgar e neofascista deste grupo minoritário» de deputados europeus – destaca o documento –, levantaram-se no PE vozes dignas que expuseram a verdade sobre Cuba e qualificaram esta acção como uma hipocrisia, aponta a declaração cubana.
De facto, se bem que a proposta tenha contado com a maioria dos votos no PE, vários deputados condenaram-na e denunciaram que o seu único objectivo foi torpedear o Acordo de Diálogo Político e Cooperação estabelecido entre a União Europeia e os seus Estados-membros e Havana.
Também o Grupo de Amizade e Solidariedade com o Povo e Cuba no PE lamentou a inclusão na sessão plenária da instituição de «um debate estéril» sobre a situação política na maior ilha das Antilhas.
Em Portugal, a solidariedade alarga-se
A Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) convocou uma concentração de solidariedade com o povo cubano para as 18 horas da próxima terça-feira, 23 de Junho, precisamente o dia em que a Assembleia-geral das Nações Unidas discute uma vez mais o bloqueio dos EUA contra Cuba. A iniciativa realiza-se no Largo Camões, em Lisboa.
Entretanto, continua a decorrer a campanha europeia que visa a aquisição de 10 milhões de seringas para Cuba. Sob o lema A Solidariedade Salva Vidas, lembra-se as cinco vacinas cubanas contra a COVID-19 que estão em desenvolvimento, a que se contrapõem as dificuldades de obtenção de equipamento médico e outros bens prioritários colocadas pelo bloqueio norte-americano.
Em Portugal, a campanha é assumida pela Associação de Amizade Portugal-Cuba, a CGTP-IN, o CPPC, a Associação Conquistas da Revolução e Porto com Cuba, e já resultou na aquisição de mais de 130 mil seringas.