Plenário de Sindicatos da CGTP-IN apelou à intensificação da luta
Reunido no dia 21, em Lisboa, o Plenário de Sindicatos saudou os trabalhadores pela resposta dada e salientou que é preciso continuar a intensificar a luta para levar mais longe as reivindicações.
Os compromissos assumidos têm expressão nas lutas em curso e marcadas
O órgão máximo da CGTP-IN entre congressos aprovou uma resolução em que considera que «a luta dos trabalhadores tem vindo a intensificar-se, respondendo aos ataques aos direitos e aos salários, aos despedimentos e encerramentos de empresas». No documento, intitulado «Aumentar os salários é emergência nacional! Pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, pelo futuro do País», afirma-se que, nestas «pequenas e grandes lutas, envolvendo milhares de trabalhadores de todas as áreas e em todo o País, no público e privado», exige-se resposta aos problemas e às reivindicações.
Os trabalhadores «rejeitam o empobrecimento, os baixos salários e as reduzidas reformas; rejeitam a precariedade e o desemprego crescente; combatem os bloqueios na contratação colectiva e, no sector público, na negociação colectiva, e o atropelo dos direitos» e «exigem uma justa distribuição da riqueza que produzem».
«As muitas lutas realizadas desaguaram numa participação massiva nas comemorações populares do 47.º aniversário da Revolução de Abril», «na grandiosa jornada de luta do 1.º de Maio» e na manifestação nacional de dia 8, no Porto. Valorizando «a participação, o compromisso, a dedicação e a militância de toda a estrutura sindical, delegados, dirigentes e activistas», o Plenário saudou «todos os trabalhadores pela resposta dada» e alertou que «é preciso continuar a intensificar a luta, para abrir caminho e levar mais longe as nossas reivindicações, as reivindicações dos trabalhadores».
Os compromissos assumidos, nomeadamente nas iniciativas que assinalaram o Dia Internacional dos Trabalhadores em 28 localidades, «já têm expressão no conjunto de lutas marcadas».
Na resolução são referidas, como exemplos, neste mês: a greve na Exide, entre 19 e 24 de Maio; a greve na Vanpro, dia 21; a greve nos armazéns do DIA (Minipreço), a 21 e 22; a greve na Santa Casa da Misericórdia de Guimarães, dias 24, 25 e 26; a greve no Metropolitano de Lisboa, dia 25; a greve na CP e na IP, hoje, dia 27; as acções de luta e concentrações semanais dos professores, junto do Conselho de Ministros; as concentrações de dia 21, na EPAL e na sede do Grupo Águas de Portugal, com greve nacional a 11 de Junho; a greve na Viroc, de 24 a 28 de Maio; a greve na Carrisbus, dias 24 e 31; a greve nacional e concentração dos guardas-florestais, amanhã, dia 28; a greve na ELO, também dia 28; a greve na Scotturb, dia 31; a greve nacional no SUCH, dia 31; a concentração dos trabalhadores dos centros de contacto da EDP, em Seia, Lisboa e Elvas, dia 9 de Junho; a semana de luta na Fundação Inatel, de 24 a 28 de Maio, com greve nacional a 11 de Junho.
Não basta proclamar
«Bem pode o Governo proclamar preocupações», protesta-se na resolução, alertando que:
– sem um significativo aumento salarial, é impossível garantir um emprego de qualidade ou o trabalho digno;
– sem pôr termo à brutal desregulação dos horários e tempos de trabalho, é impraticável conciliar a vida profissional, com a vida pessoal e familiar;
– sem acabar, de uma vez por todas, com as mil e uma formas de precarizar os vínculos laborais, não se conseguirá alterar o perfil produtivo, fomentar a formação e a qualificação profissional ou acrescentar valor na produção nacional, que pode e tem de ser incrementada!
Para a CGTP-IN, reafirmou o Plenário de Sindicatos, «o aumento geral dos salários, das pensões e do salário mínimo nacional é essencial para garantir uma vida digna a quem trabalha e trabalhou e para garantir o acesso a bens e serviços essenciais, que continuam a ser negados a uma parte significativa da população».
Da mesma forma, o aumento dos salários em 90 euros «não só é possível, como é justo e necessário». «A política que fomenta o modelo assente nos baixos salários e na precariedade, nas desigualdades, nos ricos que ficam sempre mais ricos, à custa das condições de vida dos trabalhadores e do próprio desenvolvimento do País, tem de acabar», exige-se na resolução.