Iván Duque declarou guerra à greve nacional na Colômbia

O pre­si­dente Iván Duque re­cusa-se a ne­go­ciar e de­clarou guerra à greve na­ci­onal, «ao mandar co­locar o má­ximo de forças mi­li­tares e po­li­ciais nos lo­cais de ma­ni­fes­tação pa­cí­fica», afirmam os di­ri­gentes do Co­mité Na­ci­onal de Greve na Colômbia.

Greve e ma­ni­fes­ta­ções po­pu­lares pros­se­guem desde 28 de Abril

 

Lusa

As mo­bi­li­za­ções po­pu­lares co­me­çaram cedo na terça-feira, 18, vés­pera de mais uma grande jor­nada de luta pela paz e a vida con­vo­cada no âm­bito da greve na­ci­onal. Esta pa­ra­li­sação, ini­ciada a 28 de Abril, pros­segue com ma­ni­fes­ta­ções e ou­tras ini­ci­a­tivas, apesar da re­pressão brutal das forças po­li­ciais e mi­li­tares.

Em vá­rios pontos da ca­pital, Bo­gotá, con­cen­traram-se ma­ni­fes­tantes para exigir o fim da mi­li­ta­ri­zação, a re­forma da po­lícia, a re­ti­rada de pro­postas de pri­va­ti­zação, o fim da po­lí­tica ne­o­li­beral, o fim da vi­o­lência e dos as­sas­si­natos de lí­deres so­ciais e ex-com­ba­tentes, a im­ple­men­tação do Acordo de Paz entre o Es­tado co­lom­biano e os ex-guer­ri­lheiros das FARC-EP, entre ou­tras im­por­tantes rei­vin­di­ca­ções.

Após o fra­casso do pro­cesso de ne­go­ci­a­ções entre o Co­mité Na­ci­onal de Greve e o go­verno, e logo de­pois da ordem pre­si­den­cial no sen­tido de ser uti­li­zada toda a força do Es­tado contra o mo­vi­mento po­pular, os co­lom­bi­anos de­ci­diram voltar às ruas. Se­gundo os di­ri­gentes do mo­vi­mento gre­vista, o go­verno de Duque re­cusou-se a ofe­recer ga­ran­tias de se­gu­rança para o pro­testo so­cial na Colômbia, uma con­dição apre­sen­tada pelo Co­mité Na­ci­onal de Greve.

Desde o início da greve, em fi­nais de Abril, a bru­ta­li­dade da re­pressão go­ver­na­mental pro­vocou pelo menos 42 mortos, se­gundo dados ofi­ciais. Mas vá­rias or­ga­ni­za­ções as­se­guram que são mais os ho­mi­cí­dios co­me­tidos pela po­lícia – muito con­tes­tado é, so­bre­tudo, o Esmad (Es­qua­drão Móvel Anti-Dis­túr­bios). O Co­mité Na­ci­onal de Greve re­fere que, em 18 dias de pro­testos so­ciais pa­cí­ficos, a «brutal vi­o­lência po­li­cial» causou a morte de pelo menos 50 pes­soas, fe­ri­mentos em 587 (das quais 37 com le­sões ocu­lares), de­ten­ções ar­bi­trá­rias de 1430 e o de­sa­pa­re­ci­mento de 524, além de casos de vi­o­lência se­xual contra 21 mu­lheres.

Para os ob­ser­va­dores em Bo­gotá, uma saída ne­go­ciada para a pro­funda crise que a Colômbia atra­vessa pa­rece mais dis­tante, após o en­contro fa­lhado entre o Co­mité Na­ci­onal de Greve e o go­verno. Este ce­nário é agra­vado pela cri­ti­cada de­cisão de Duque, que or­denou às forças po­li­ciais em­pregar a sua «má­xima ca­pa­ci­dade ope­ra­ci­onal» para re­primir a luta do povo co­lom­biano.




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