URAP em defesa da liberdade e da democracia
No passado dia 3, o núcleo do Barreiro da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) promoveu, no Alto Seixalinho, um acto público para recordar a grande manifestação do 1.º de Maio de 1970, onde participaram cerca de seis mil trabalhadores e população do Barreiro e da Moita, violentamente reprimidos pela GNR, por celebrar o Dia Internacional do Trabalhador e defender a liberdade e a democracia, mas também para condenar a guerra colonial e lutar por melhores condições de vida.
Na acção da passada segunda-feira estiveram presentes uma centena de pessoas, entre as quais alguns dos participantes da jornada de 1970. No Largo 3 de Maio tiveram lugar intervenções dos núcleos da URAP do Barreiro e da Moita, da União dos Sindicatos de Setúbal e de Faustino Reis, antigo preso político de Caxias e Peniche.
Recorde-se que na noite de 2 para 3 de 1970, a PIDE prendeu os antifascistas Alfredo Matos e Álvaro Monteiro, do Barreiro, Leonel Coelho e Staline Rodrigues, da Moita, e Zacarias Fernandes, Fernando Tavares, Carlos Lopes e António Chora, de Setúbal. A indignação da população barreirense foi crescendo e na tarde do dia 3 realizou-se uma marcha de protesto também pela libertação dos democratas. Com a saída dos operários das fábricas e do caminho de ferro, a manifestação atingiu cerca de sete mil pessoas.
Caxias e Peniche
47 anos depois, a URAP celebrou a vida e a luta pela liberdade e pela democracia dos presos políticos que foram libertados das fortalezas de Caxias e Peniche no dia 27 de Abril de 1974.
Foi por isso promovida uma excursão a essas duas cadeias do fascismo. Em Caxias, junto à peça escultórica em homenagem aos presos políticos, Sérgio Ribeiro, ex-preso político libertado nesse dia, lembrou o assassinato pela PIDE de José Dias Coelho, a 18 de Dezembro de 1961, com quem se ia encontrar, e recordou a sua primeira prisão, dois anos depois, na qual passou «pela terrível experiência da tortura e da privação do sono».
Os dois autocarros seguiram para Peniche. Depois da intervenção de abertura de José Pedro Soares, Adelino Pereira da Silva, também preso político e dirigente da URAP, recordou «o corajoso movimento dos capitães e militares de Abril, a que se juntou de imediato o maciço apoio popular na consolidação do triunfo da liberdade».
Assembleia Geral
No dia 10 de Abril, mais de uma centena de pessoas, representando os núcleos da URAP de vários pontos do País, participaram na Assembleia Geral da URAP, que se realizou na Casa do Alentejo, em Lisboa. Ali foi aprovada a nova direcção da URAP e o Plano de Actividades para 2021. Apreciados e votados favoravelmente, por unanimidade e aclamação, foram também os relatórios das Contas e do Conselho Fiscal de 2020.