Duas eleições em Cabo Verde

Carlos Lopes Pereira

Os cabo-verdianos vão às urnas no próximo dia 18 para eleger os 72 deputados do parlamento e, com base nesses resultados, escolher um novo governo para os próximos cinco anos. A campanha eleitoral arranca amanhã, 2 de Abril, condicionada pela crise sanitária.

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), herdeiro da luta de libertação nacional no país e na Guiné-Bissau dirigida por Amílcar Cabral, aposta no regresso ao poder. Na oposição desde 2016, o partido, dirigido por Janira Hoppfer Almada, tem por objectivo ganhar as eleições legislativas, alcançar a maioria para formar o executivo e construir um «Cabo Verde para todos».

O arquipélago foi atingido severamente pelas consequências económicas e sociais da pandemia de COVID-19: a pobreza cresce, o desemprego duplicou em 2020, para 20 por cento, e o turismo, que representa um quarto do Produto Interno Bruto, está paralisado há mais de um ano. Daí que a líder do PAICV aponte o relançamento da economia como a principal prioridade do seu programa eleitoral, visando o desenvolvimento, com a redução das desigualdades sociais e das assimetrias regionais.

O principal adversário do PAICV é o Movimento para a Democracia (MpD), dirigido por Ulisses Correia e Silva, actual primeiro-ministro.

Na Assembleia Nacional que vai cessar o mandato, o MpD, uma formação de direita, detém a maioria absoluta (40 lugares), o PAICV tem 29 eleitos e a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) três deputados.

Nas últimas eleições autárquicas, realizadas em Outubro de 2020, o MpD obteve a maioria das presidências das câmaras municipais, mas perdeu para o PAICV o município da Praia, a capital, o que indicia que o sentido do voto pode estar a mudar.

Em recente entrevista à agência Lusa, Janira Hoppfer Almada critica a governação do MpD. Desde logo pelos «desperdícios e gastos supérfluos» do Estado, sobretudo na actual situação do país. Também pela privatização dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV), com a venda de 51 por cento da companhia a investidores islandeses, medida que contesta, defendendo a renegociação do acordo, já que considera os transportes aéreos e marítimos «estratégicos» e um factor de coesão territorial no arquipélago. E critica o governo, principalmente, pela sua «política económica errada» que não qualificou o turismo, não apostou na agricultura, não investiu nas pescas.

Após estas legislativas, os cabo-verdianos serão chamados de novo às urnas a 17 de Outubro, para as eleições presidenciais. Completar-se-á, então, um ciclo eleitoral de três votações num ano – autárquicas, legislativas e presidenciais –, importante para o futuro próximo de Cabo Verde.

O presidente da República cessante, Jorge Carlos Fonseca, está no final do segundo mandato e não pode concorrer. Os principais candidatos são José Maria Neves, que foi líder do PAICV e primeiro-ministro durante 15 anos (2001-2016), e Carlos Veiga, fundador do MpD, primeiro-ministro durante a década de Noventa e, mais tarde, até há pouco, embaixador em Washington.

Será a terceira tentativa de Veiga chegar à presidência do país, depois de ter perdido as eleições em 2001 e 2006 contra o candidato apoiado pelo PAICV, Pedro Pires, uma das mais destacadas figuras da luta pela independência e da construção do Estado de Cabo Verde.



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