Semana da CGTP-IN reforça exigências de hoje e para o futuro
MOBILIZAÇÃO A semana de acção e luta, que a CGTP-IN está a promover, dá força às exigências dos trabalhadores, de resposta aos problemas imediatos e de soluções para o desenvolvimento do País.
Os trabalhadores e os seus sindicatos não abdicam da luta
Num depoimento publicado na segunda-feira, primeiro dia da semana de «acção e luta em todos os sectores», a Secretária-geral da confederação reafirmou que «não há desenvolvimento do País, sem o aumento geral dos salários, sem o aumento do salário mínimo nacional para 850 euros no mais curto prazo, sem o fim da precariedade, sem a revogação das normas gravosas da legislação laboral (nomeadamente a caducidade das convenções colectivas e o fomento da precariedade) e sem reforço do investimento nos serviços públicos e nas funções sociais do Estado (com a valorização do trabalho dos trabalhadores de todos os sectores, público e privado)».
Com «centenas de iniciativas marcadas», esta semana de acção e luta «expressa, nos locais de trabalho, nas empresas, nos sectores, nos serviços, as exigências dos trabalhadores na resposta aos problemas imediatos e na resposta às necessidades para o desenvolvimento futuro do País», disse Isabel Camarinha, insistindo que «isso só poderemos garantir com o aumento geral dos salários, a negociação da contratação colectiva, a resposta às necessidades e aos problemas dos trabalhadores, dos reformados, dos pensionistas».
No trabalho
e nas ruas
Sindicatos, federações e uniões, nalguns casos em conjunto, agendaram para estes dias plenários, concentrações, manifestações e greves, em sectores, empresas e serviços e nas ruas de várias localidades.
Ontem, dia 9, em Lisboa, a Secretária-geral da CGTP-IN participou, de manhã, numa concentração de trabalhadores da ISS/Securitas (no aeroporto, contra o despedimento colectivo) e numa concentração nacional de representantes dos trabalhadores das indústrias metalúrgicas, químicas, eléctricas, farmacêutica, celulose, papel, gráfica, imprensa, energia e minas, junto da sede da CIP, pelo aumento dos salários, em defesa do emprego e da saúde, pelo direito à negociação e à contratação colectivas.
De tarde, frente ao Ministério das Finanças, Isabel Camarinha iria intervir nas concentrações de representantes dos trabalhadores da Arsenal do Alfeite SA (para exigirem o pagamento imediato do subsídio de Natal e a garantia das próximas retribuições) e do Grupo Águas de Portugal, para reclamar o cumprimento do acordo colectivo de trabalho, aumento dos salários, valorização das carreiras e compensação do risco e penosidade.
A CGTP-IN divulgou ainda uma extensa lista de concentrações, plenários e iniciativas de contacto com trabalhadores, em vários distritos, bem como greves na SUCH (Lisboa), Jimo (Porto), Novadis (Porto, contra o «banco» de horas e por aumentos salariais) e Aptiv (Braga) e uma tribuna pública na Guarda.
No feriado, dia 8, a Secretária-geral da Intersindical participou numa acção na entrada principal do Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa. Uma iniciativa semelhante, também envolvendo várias estruturas da CGTP-IN, realizou-se no dia seguinte, no Centro Comercial UBBO (antigo Dolce Vita Tejo). Ainda para dia 8, foi marcada greve no call center da Altice e da TAP, em Beja.
Na segunda-feira, dia 7, a Inter registou plenários e iniciativas de contacto com trabalhadores nos distritos de Lisboa (Randstad, Celcat e Auchan de Torres Vedras), Porto (Hospital Lusíadas, Lidl em Nogueira da Maia e Brás Oleiro), Setúbal (Auchan, armazém Jerónimo Martins Retalho em Alcochete), Braga (Ordem S. Francisco), Viseu (PSA/Citroen, em Mangualde), Leiria (Hospital S. Francisco e comércio da Marinha Grande), Coimbra (alimentação dos hospitais Pediátrico e Sobral Cid, resíduos dos HUC), Braga (Continental Mabor, Louropel e Herdmar), Beja (Fundação Visconde de Messangil e Herdade do Sobrado), Faro (lojas do Fórum Faro) e Setúbal (Viroc, plenário e concentração frente à administração).
Governo optou pelo capital
«Com o surto epidémico acentuou-se a exploração e agravaram-se as desigualdades», mas isso ocorreu «também por opção de quem está no Governo», pois «podia ter decidido de forma a garantir os direitos dos trabalhadores, mas não o fez», acusou Isabel Camarinha, ontem de manhã, junto à sede da CIP, em Lisboa.
Na concentração ali promovida pela Fiequimetal, onde foram assinalados os lucros de muitas multinacionais dos sectores da indústria, a Secretária-geral da CGTP-IN criticou «estas grandes empresas e grupos económicos, a quem o Governo dá a mão, e que estão a aproveitar-se desta situação».
«Bem podem os patrões dos patrões dizer que as empresas não aguentam, mas tivemos aqui um desfile de grandes empresas que tiveram milhões e milhões de euros de lucros e que, mesmo assim, foram sugar mais uns quantos milhões à Segurança Social e ao Orçamento do Estado, para depois distribuírem como dividendos», salientou a dirigente, no final da iniciativa. Em contraponto, protestou, «recusam-se a negociar aumentos para os trabalhadores».
No entanto, «os trabalhadores não baixaram os braços, nem os sindicatos da CGTP-IN, não se confinaram». Isabel Camarinha garantiu que «vamos continuar a luta pelo que é nosso por direito: melhores condições de vida e de trabalho e mais justiça na distribuição da riqueza».