Mais de 40 milhões de escravos no mundo

ABOLIÇÃO O trabalho forçado e escravo, o tráfico de seres humanos, a prostituição, a exploração sexual, incluindo de crianças, os casamentos forçados e o trabalho infantil constituem as novas formas de escravidão.

Escravatura é um dos negócios mais rentáveis do mundo

No Dia Internacional para a Abolição da Escravatura, que se assinala a 2 de Dezembro, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) lembra que em todo o mundo estima-se que existam «mais de 40 milhões de pessoas sujeitas a alguma forma de escravatura, privadas da liberdade, tratadas como uma mercadoria em negócios sórdidos, para a obtenção ilegal e ilegítima de fabulosos lucros de gente sem escrúpulos, muitas vezes com a cobertura de alguns Estados».

Segundo um estudo recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a escravatura gera mais de 150 mil milhões de lucros todos os anos, o equivalente à soma das quatro empresas mais rentáveis do mundo. Os países desenvolvidos e da Europa são os que mais lucram com a escravatura. Por cada mil pessoas no mundo, existem 5,4 vítimas de escravidão. As mulheres e as meninas são mais afectadas por este flagelo, somando quase 29 milhões, cerca de 71 por cento do total, representando 99 por cento das vítimas na chamada indústria comercial do sexo.

Uma em cada quatro vítimas de escravatura são crianças. As crianças representam 37 por cento das vítimas de casamentos forçados, 21,3 por cento de exploração sexual e 19 por cento do trabalho forçado. O trabalho infantil afecta 152 milhões de crianças, ou seja, uma em cada dez crianças de todo o mundo.

Passados 25 anos da Conferência de Pequim, apesar de haver mais crianças a terem direito à educação, há 32 milhões de meninas que continuam a não ter acesso à escola. Com a pandemia mais de 500 mil crianças ficaram em risco de serem forçadas a casar.

Ataque a direitos
«A pandemia está a servir de pretexto para aprofundar políticas de ataque a direitos básicos, o aumento das desigualdades, da pobreza e da fome, das violências e da exploração no mundo, ameaçando as populações mais frágeis, as mulheres e as crianças», denuncia o MDM, dando conta, segundo estimativas, para «quase 435 milhões de mulheres no nível da pobreza em 2021, com a pandemia a contribuir para um aumento de 11 por cento».

«Avolumam-se as assimetrias e alarga-se o fosso das desigualdades: um por cento dos mais ricos da população mundial possui 40 por cento da riqueza mundial. Em 2019, 2153 multimilionários, com património acima de mil milhões de dólares, detêm mais riqueza que 4,6 mil milhões de pessoas (60 por cento da população mundial)», observa o movimento.

Cruel realidade

# Actualmente e em pleno século XXI, existem mais pessoas em situação de escravatura do que em qualquer outro momento da história da humanidade;
# Há mais de 780 milhões de pessoas a viver abaixo do Limiar Internacional da Pobreza;
# Mais de 11 por cento da população mundial vive na pobreza extrema, sem acesso à saúde, à educação, à água e ao saneamento;
# Por cada 100 homens dos 25 aos 34 anos, há 122 mulheres a viver na pobreza. Mais de 160 milhões de crianças correm o risco de continuar na pobreza extrema até 2030.

 



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