XXI Congresso foi afirmação de confiança na luta por um futuro melhor para Portugal
PROJECTO Ouvir os trabalhadores e o povo e encontrar soluções para os seus problemas – eis o grande desafio que está colocado ao País. Quem o afirma é o PCP, que comprovou no seu XXI Congresso ser essa hoje a maior «urgência nacional».
Do Congresso saíram respostas e soluções para os problemas nacionais
Os muito oradores que passaram pela tribuna da assembleia magna dos comunistas, vai para quinze dias, validaram com os seus testemunhos o carácter impreterível daquela asserção.
Foi a voz de quem trabalha, de reformados e jovens, de micro, pequenos e médios empresários, de agricultores e pescadores, de homens e mulheres das artes e cultura, de pessoas com deficiência, de quem abraça também as causas do ambiente, da igualdade, da solidariedade, que ali se fez ouvir.
Relatos vivos de quem conhece bem a «brutalidade dos problemas económicos e sociais que se abateram sobre milhões de portugueses, atingindo de forma particularmente impiedosa as classes e camadas populares e todos aqueles cujo sustento e sobrevivência dependem do seu trabalho diário, da possibilidade de o realizarem e de com ele obterem uma justa compensação pela riqueza que criam», sublinhou sexta-feira passada, 3, na AR, o presidente do Grupo Parlamentar do PCP numa declaração política centrada nos trabalhos do Congresso, seu significado e importância.
Foi desse retrato fiel da realidade nacional feito pelos congressistas, em Loures, que falou João Oliveira para destacar desde logo como dele sobressaiu a comprovação de que «não estamos todos no mesmo barco», que «há quem esteja a ser esmagado pela epidemia e quem acumule fortuna esmagando o seu semelhante com o pretexto da epidemia», «quem lute pelos seus direitos exercendo-os e quem queira proibir a luta e liquidar direitos», «quem esteja a perder a esperança e a ceder ao desespero e ao medo enquanto outros se aproveitam do desespero para semear mais miséria, pobreza, exploração e desespero porque isso é da sua conveniência».
Mas não foi apenas esse olhar sobre sobre os problemas e dificuldades que esteve presente no Congresso. Dele emanaram também e com igual grau de pormenorização as respostas e soluções de que o País precisa e o caminho para as incrementar, por forma a garantir um futuro de progresso, igualdade e justiça social.
«Foi a esta urgência nacional que correspondeu o Congresso do PCP», sintetizou o líder parlamentar comunista, pondo em evidência como o conclave comunista, «num tempo que para alguns deveria ser de confinamento dos direitos e até da sua liquidação em definitivo», «fez a opção determinada de se afirmar como exemplo da resposta democrática, progressista e socialmente avançada que deve ser dada aos problemas colocados pela epidemia e seus impactos económicos e sociais».
Um exemplo irrepreensível
E nem poderia ser de outra maneira, sustentou João Oliveira: «Se ao longo destes meses temos combatido tentações e tendências antidemocráticas de cerceamento de direitos políticos, laborais, sociais ou culturais, se temos combatido aqueles que querem transformar o medo de morrer em medo de viver e de lutar, se temos combatido a política do “Proíba-se, Suspenda-se e Limite-se», se temos defendido que se deve combater a epidemia criando condições de segurança sanitária para que a vida nacional prossiga, a realização do Congresso tinha de ser um exemplo daquilo que defendemos».
E foi-o – e de modo irrepreensível -, numa demonstração inequívoca de como é possível «definir, aplicar e pôr em prática regras de segurança sanitária que defendam a saúde pública para que assim a vida possa prosseguir nas suas múltiplas dimensões».
E ao fazê-lo nos moldes em que o fez, o Congresso assumiu-se como o principal protagonista da «mensagem de esperança que não abandona aqueles que todos os dias erguem este País com o seu trabalho e que, incluindo naquele fim-de-semana, tiveram de se levantar cedo para trabalhar o dia inteiro».
Foi essa «mensagem de esperança» que saiu do Congresso, vinda de quem «constrói o presente e quer construir um futuro melhor para o seu País», disse João Oliveira, convicto de que esse futuro reclama uma política alternativa patriótica e de esquerda, que defenda a soberania nacional, liberte o País do domínio dos grupos económicos e financeiros, rompa com as opções da política de direita.