Estudantes concentram-se na AR por um Ensino Superior de qualidade
LUTA Estudantes de várias Instituições de Ensino Superior de Lisboa concentraram-se, no dia 18 de Novembro, frente à Assembleia da República (AR), por um Ensino Superior público democrático, de qualidade, gratuito e inclusivo.
«O que está em causa é a nossa educação e o futuro do País»
«Nas residências investir, queremos camas para dormir», «Neste Orçamento mais investimento» ou «Bolsas sim, propinas não! Este Governo não tem educação» foram algumas das palavras de ordem entoadas pelos cerca de 150 estudantes.
Nas várias pancartas, cartazes e faixas elaboradas pelos estudantes também se podia ler: «Fim das propinas já», «Alguém viu o ministro?», «Estudantes contra o regime fundacional» «Não ao aumento do prato social», «Fim imediato do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior».
O protesto decorreu no âmbito da campanha «O futuro está em risco», lançada, de forma conjunta, pelas associações de estudantes (AE) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (AEFCSH) da Universidade Nova de Lisboa e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (AEFLUL), bem como pelas associações académicas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (AAFDL) e da Universidade de Lisboa (AAUL). Foi ainda subscrita pela AE da Escola Superior de Artes (AEESAD) e Design das Caldas da Rainha.
«A luta não está suspensa»
Na acção, Inês Bucho, dirigente da AEFLUL, salientou que a proposta do Orçamento do Estado (OE) para 2021 «continua a perpetuar o já crónico sub-financiamento do Ensino Superior». Segundo a dirigente associativa, as aulas à distância continuam a ter efeitos nocivos no processo de aprendizagem, as residências universitárias são insuficientes e as bolsas de estudo são exíguas, «apesar das necessidades dos estudantes serem maiores». Inês Bucho apontou ainda a falta de espaço nas cantinas e salas de estudo, situação que se agravou com a imposição das medidas sanitárias necessárias.
Depois de um curto concerto que assinalou a importância da Cultura para os jovens que frequentam o Ensino Superior, interveio José Pinho, membro da Direcção da AEFCSH. «Sabemos bem, enquanto estudantes, os problemas que nos afligem todos os dias», que «não são novos» nem «exclusivos da situação epidémica que vivemos», afirmou, acrescentando: «A actual situação apenas veio acentuar as desigualdades e os problemas estruturais do Ensino Superior». Neste sentido, acusou a «tutela e o Governo» de se terem desresponsabilizado «dos seus deveres constitucionais».
Sementes de esperança
A Direcção Central do Ensino Superior da JCP saudou entretanto a luta destes estudantes, bem como a acção realizada dias antes em Coimbra, que deixam «sementes de esperança para um futuro à altura das suas justas aspirações».
Num documento divulgado no passado dia 19, os jovens comunistas dão conta de algumas das propostas do PCP para o sector, que passam pelo fim, no imediato, de todas as barreiras socioeconómicas, como as propinas em todos os ciclos, o reforço e melhoria da Acção Social Escolar, a melhoria do regulamento de atribuição de bolsas, bem como um aumento do seu valor, o reforço de verbas para a construção e reabilitação de residências na Rede Pública de Alojamento Estudantil. Tal como os estudantes exprimiram, exige-se também o reforço imediato do financiamento para o Ensino Superior, assegurando o seu carácter público e gratuito.