Coimbra presta justa homenagem à figura ímpar de Álvaro Cunhal

INAUGURAÇÃO Jerónimo de Sousa interveio, faz hoje uma semana, no descerramento de uma placa que recorda Álvaro Cunhal, junto à casa onde nasceu, na cidade de Coimbra.

Álvaro Cunhal dedicou a vida e o melhor do seu saber ao povo e ao País

A iniciativa municipal ocorreu quando se assinalam 107 anos sobre o nascimento do ex-secretário-geral do PCP, e, de hoje em diante, na Rua do Brasil, pode-se encontrar uma placa onde consta uma breve nota biográfica e se identifica a casa onde Álvaro Cunhal veio ao mundo.

A cerimónia, realizada ao final da tarde de quinta-feira, 12, começou justamente com o descerramento do singelo monumento, gravado a ouro em baixo relevo. Em seguida, Jerónimo de Sousa e Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, percorreram os escassos metros até à tribuna, situada ali ao lado, na Ladeira das Alpenduradas, donde discursaram perante dezenas de pessoas, espalhadas pelos passeios e pela estrada, cortada para o efeito.

Do púlpito, Manuel Machado sublinhou tratar-se de um tributo merecido, que honra a cidade, a «uma das figuras mais relevantes do século XX em Portugal», salientando, além do mais, que «poucos políticos tiveram em Portugal tanto carisma, tanta capacidade de liderança, tanto alcance na consciência política dos cidadãos».

Convidado a intervir no encerramento, o Secretário-geral do PCP referiu-se a Álvaro Cunhal como «um protagonista destacado» nos «mais significativos e importantes acontecimentos da nossa vida colectiva do último século e princípios do presente», assim como «um combatente intrépido que se entregou, com denodada abnegação, resistindo às mais terríveis e duras provas de vida clandestina e prisão, à causa da liberdade, da democracia, e uma referência na luta pela concretização dos elevados valores da emancipação social e humana».

«Personalidade de invulgar inteligência, homem de firmes convicções, inteireza de carácter; político de acção e autor de uma obra notável, Álvaro Cunhal dedicou toda a sua vida e o melhor do seu saber – como dirigente do PCP, como Deputado, como Ministro da República nos governos provisórios de Abril, como Conselheiro de Estado –, à defesa dos interesses do seu povo e do desenvolvimento do seu País», insistiu Jerónimo de Sousa, para quem é precioso o contributo do histórico dirigente comunista na teorização e acção das «profundas transformações revolucionárias operadas na sociedade portuguesa» com Abril, do político e do estadista na sua consolidação e defesa, como é igualmente relevante e multifacetado o legado artístico de Álvaro Cunhal.

Legado com futuro

«Um abundante e valioso património que reflecte um pensamento de grande riqueza e actualidade que é um herança de todos os que aspiram construir um mundo melhor e mais justo, mais democrático e mais solidário», acrescentou o Secretário-geral do PCP, antes de lembrar que, «num momento em que o País enfrenta graves problemas que uma política contra Abril promoveu e a actual epidemia agravou, e se afirma a necessidade de encontrar os caminhos do progresso e da justiça social, a luta, a obra e o pensamento de Álvaro Cunhal projectam-se como contributos inestimáveis para a conquista de um futuro que tenha como referência os valores de Abril».

«É para nós inquestionável que são os povos que fazem a história», mas não o é menos que «ela precisa do concurso dos homens certos, em cada momento, para lhe dar rumo e movimento. De homens como Álvaro Cunhal que, conhecendo a realidade e os desafios do seu tempo, são capazes igualmente de compreender e interpretar as aspirações mais profundas do povo e lhes dar um sentido», enfatizou Jerónimo de Sousa.

 

O «grande colectivo partidário»

Tal como demos nota na edição da semana passada, dando destaque à intervenção proferida Jerónimo de Sousa, no dia em que Álvaro Cunhal completaria 107 anos, realizou-se, no Auditório da Escola Secundária João de Deus, em Faro, uma sessão pública, integrada nas comemorações do Centenário do PCP.

Cerca de uma centena de pessoas participou na iniciativa que começou com a exibição do filme «Álvaro Cunhal - Vida, pensamento e luta: exemplo que se projecta na actualidade e no futuro», produzido por ocasião do centenário de Álvaro Cunhal e exibido pela primeira vez a 3 de Dezembro de 2012, durante os trabalhos do XIX Congresso do PCP, que decorria então no Campo Pequeno em Lisboa, explicou Celso Costa.

De resto, o membro do Comité central que dirigiu a sessão de terça-feira, 10, em Faro, observou a propósito que «também agora estamos numa fase decisiva de preparação do nosso XXI Congresso», suscitando a participação de milhares de membros do Partido, o que traduz, «pegando na feliz expressão de Álvaro Cunhal,», que «é o nosso “grande colectivo partidário” a compreender e a enfrentar a situação».

Dando vários exemplos de que o PCP se está a mostrar, de novo, à altura do momento presente, Celso Costa voltou a pegar nas palavras de Álvaro Cunhal, em «O Partido com paredes de vidro», para frisar que «a perspectiva histórica de um partido afere-se pelo que fez, pelo que faz e pelo que mostra estar em condições de fazer. Afere-se pela ligação do seu ideal, dos seus objectivos, da sua acção à classe ou classes às quais historicamente o futuro pertence. Neste duplo aspecto se afere e revela a perspectiva do PCP e se fundamenta a sua profunda e inabalável confiança no futuro».



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