Países da Ásia-Pacífico estabelecem o maior tratado de comércio mundial

COMÉRCIO O Acordo de Associação Económica Integral Regional (RCEP, na sigla inglesa) foi assinado por 15 países da Ásia-Pacífico. Juntos, representam 30 por cento do PIB e um terço da população mundiais.

Acordo reúne 15 Estados representando 30 por cento do PIB global

Assinado no dia 15, este que será o maior acordo mundial de comércio envolve os membros da Associação de Países do Sudeste Asiático/ ASEAN – Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia e Vietname –, mais a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e a Nova Zelândia. No seu conjunto, os Estados subscritores representam cerca de 30 por cento do Produto Interno Bruto mundial e aproximadamente 2200 milhões de pessoas.

Espera-se que o acordo facilite o funcionamento das cadeias de abastecimento internacionais, contribua para estreitar os laços económicos entre os países subscritores e os ligue ainda mais ao resto do mundo. A diminuição de importações é outro dos objectivos do RCEP.

A colossal dimensão deste tratado poderia ser ainda maior, caso a Índia não tivesse, por vontade própria, saído das negociações em 2019. O RCEP, que começou a ganhar forma no início da década, no seio da ASEAN, deverá entrar em vigor até ao fim de 2021. Recorde-se que a actual administração norte-americana de Donald Trump se desvinculou da chamada Parceria Trans-Pacífica (TPP), que havia sido promovida pela administração Obama junto de outros países da Ásia com o objectivo de isolar a China.

Reciprocidade

Numa análise publicada no dia 16, a agência noticiosa chinesa Xinhua sublinha o significado da assinatura deste «mega-acordo comercial regional», como lhe chama: trata-se, afirma, de uma «vitória do multilateralismo sobre o unilateralismo». O facto de tal acordo ter sido celebrado em plena pandemia de COVID-19), com os conhecidos efeitos económicos, só aumenta o seu significado, pois «face aos desafios, os países podem escolher a solidariedade e a cooperação sobre o conflito e o confronto».

A Xinhua garante estar-se perante um marco na integração económica no Extremo Oriente, já que o RCEP assenta na reciprocidade e acomoda o máximo possível de interesses, condições e prioridades dos diferentes países. Para a República Popular da China, este acordo comercial– o 19.º celebrado pelo país – vem não apenas alargar o número de parceiros económicos, como criar novas possibilidades para romper o cerco em que os EUA a pretendem enredar.




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