Moçambique batalha pela paz
Moçambique enfrenta hoje mais uma difícil batalha pela conquista e manutenção da paz, indispensável à continuação do desenvolvimento do país.
Os presidentes moçambicano e sul-africano, Filipe Nyusi e Cyril Ramaphosa, mantiveram no dia 14 uma conversação telefónica sobre questões de segurança na região, «com realce para o terrorismo e outras ameaças». Nyusi informou o dirigente da África do Sul acerca da situação de segurança em Moçambique. Ramaphosa é o presidente em exercício da União Africana e Nyusi o presidente em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Na semana passada, Nyusi recebeu em Maputo um enviado especial do presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi, tendo tratado de «questões de paz, segurança e desenvolvimento». O Botswana encabeça a troika do organismo da SADC responsável pela cooperação nas áreas de política, defesa e segurança.
Estes contactos diplomáticos do presidente moçambicano estão relacionados com a situação na província nortenha de Cabo Delgado, desde há três anos palco de ataques armados por bandos de terroristas. A barbárie causou entre as populações centenas de vítimas e dezenas de milhares de deslocados, além da destruição de habitações e equipamentos como escolas e postos médicos.
Na zona costeira da região onde ocorrem estes crimes estão em construção infra-estruturas ligadas ao projecto de extracção de gás natural, concessionado pelo Estado a petrolíferas norte-americanas e francesas, como a Exxon Mobil e a Total, investimentos avaliados em milhares de milhões de dólares.
O governo moçambicano pediu em Setembro à União Europeia ajuda para o sector da segurança e auxílio às populações afectadas. A resposta, positiva, chegou há dias: o embaixador de Bruxelas em Maputo, Sánchez-Benedito Gaspar, revelou que o apoio a conceder diz respeito a logística, formação e assistência técnica às Forças de Defesa e Segurança, não estando previsto o envio de militares. A União Europeia prometeu também continuar a cooperar no plano da emergência humanitária e em projectos de desenvolvimento.
Outro foco de violência em Moçambique localiza-se no centro do país, onde há ataques atribuídos à Junta Militar da Renamo, uma facção dissidente da segunda força política, que contesta a direcção do seu partido e o acordo de paz assinado em 2019 com o governo.
O presidente Nyusi esteve em Chimoio, na província de Manica, e exortou o grupo a juntar-se ao processo em curso de desarmamento, desmobilização e reintegração, assim ultrapassando diferenças e contribuindo para paz.
No quadro desse processo que se arrasta há anos, mais de 300 antigos guerrilheiros da Renamo vão entregar as armas, na Gorongosa, na província de Sofala, até Novembro. De um total de cinco mil membros da Renamo que aceitaram ser desmobilizados e reintegrados, já o fizeram mais de um milhar.
Assim, a par dos complexos problemas do desenvolvimento, agravados recentemente por catástrofes naturais e hoje pela pandemia de COVID-19, Moçambique enfrenta esses dois conflitos armados, um no Norte, outro no centro do país.
O povo de Moçambique e o seu governo, formado pela Frelimo, o partido da independência, saberão encontrar, de forma soberana, as melhores soluções que conduzam à paz, possibilitando a continuação com êxito da luta pelo progresso e bem-estar a que todos os moçambicanos têm direito.