Tribuna do XXI Congresso do PCP

Os textos enviados para a Tribuna do Congresso devem ter um máximo de 2500 caracteres, espaços incluídos. A redacção do Avante! reserva-se o direito de reduzir os textos que excedam estas dimensões, bem como de efectuar a selecção que as limitações de espaço venham a impor. Cada texto deverá ser acompanhado do número de militante do seu autor. Será dada prioridade à publicação do primeiro texto de cada camarada. Eventuais segundos textos do mesmo autor só serão publicados quando não houver primeiros textos a aguardar publicação. A redacção poderá responder ou comentar textos publicados.

De toda a correspondência que contenha propostas de emenda ou sugestões sobre o documento em debate, será enviada cópia para a comissão de redacção. A correspondência deve ser endereçada para a redacção do Avante!: Rua Soeiro Pereira Gomes, nº 3, 1600-196 Lisboa; endereço electrónico: [email protected].

 

Preparar o Congresso em movimento

 Estamos na terceira fase de preparação do nosso Congresso, a discussão das Teses e eleição dos delegados, última etapa antes da sua realização e que tem grande importância.

A planificação da discussão das Teses, a calendarização das reuniões para a sua discussão, suscitando a opinião e contribuição de cada militante, garantindo a maior participação possível em cada organização, a realização dos plenários para a eleição dos delegados é fundamental para garantir o seu êxito. Na situação de pandemia que estamos a atravessar, o esforço para a participação e intervenção dos militantes, em condições de segurança, deve ser redobrado.

Esta discussão deve ser interligada com a realidade e o desenvolvimento da situação política nacional e internacional, assim como com a luta nas empresas e locais de trabalho e as questões de organização do Partido, nas células de empresa e locais de trabalho e nas organizações de base.

Debatemos para organizar, organizamos para intervir, nas lutas nos locais de trabalho e reforçando a organização sindical, junto das populações para a solução dos problemas locais e dando expressão e força ao poder local e às organizações e movimentos de luta em torno de problemas concretos.

Também devemos aprofundar e desenvolver as questões do trabalho de direcção ligando aos aspectos concretos que preocupam cada organização. Na política de quadros, no aprofundar da estruturação melhorando a ligação aos locais de trabalho e seus problemas, aos bairros e ruas, e situações de lutas locais das populações. No reforço da propaganda e num melhor aproveitamento dos meios electrónicos, no aumento da difusão e leitura do Avante! e d’ O Militante. Nos fundos, dando particular atenção a uma cobrança mais regular da quotização e ao seu aumento, assim como às contribuições, destacando a Campanha O Futuro tem Partido, junto de camaradas e listando e abordando amigos para que possam contribuir para o Partido. A valorização e importância da Festa do Avante!, destacando o quadro em que se realizou este ano com a violenta e reacionária campanha contra o Partido e contribuindo para a preparação da sua 45.ª edição.

A preparação do nosso Congresso e a discussão das Teses são bem a prova do funcionamento democrático onde todos podemos dar o nosso contributo, onde marcamos bem a diferença, não havendo qualquer comparação possível com outros partidos e por isso temos orgulho na comemoração dos seus cem anos e em fazermos parte deste grandioso colectivo partidário.

 Pedro Lago


Análise profunda, mas linguagem complexa

Da leitura das teses, acho o conteúdo excelente. A profundidade de análise faz-me pensar quão importante é o seu debate coletivo. Apesar disso, acho que as teses sofrem de um mal, que é a linguagem inacessível para as camadas da população menos instruídas ou menos familiarizadas com as questões políticas. Penso que se deve tentar simplificar a linguagem com termos mais acessíveis a todas as camadas da população. Também acho que as siglas devem ser sempre explicadas por extenso. Muitos camaradas não sabem o que quer dizer BCE, PPP, etc., etc..

Também há pontos e temas das teses que deveriam ser mais extensos, com explicações mais completas. Por exemplo: o desporto tem funções extraordinariamente importantes para a sociedade, tais como na formação individual, na socialização, no sentido coletivo, na saúde física e mental, na inserção social e na prevenção da pequena criminalidade.

Dada a importância destes fatores, poderia e deveria ser financiado pela administração central o que quase não acontece. Tudo o que temos em desporto, parte da carolice de dirigentes desportivos das coletividades de bairro e do apoio das autarquias. Estas, depois da crise de 2008, reduziram sistematicamente os apoios às iniciativas dos clubes.

Os grandes clubes limitam-se a ir buscar os atletas mais capazes aos pequenos clubes. Os clubes da 1.ª e 2.ª ligas, dominam toda a informação desportiva. As modalidades que não vendem publicidade não existem para os jornais nem televisões, o que é grave no caso dos meios de comunicação social públicos.

Mário Pires Miguel


O sistema financeiro na actualidade

O País está hoje confrontado com um processo de concentração bancária, cuja consequência imediata é a transferência significativa do capital accionista da banca nacional para o capital estrangeiro, agravando o trespasse de riqueza para outros países e a perda de capacidade de intervenção e de soberania do País.

Um dos grandes objectivos que a Comissão Europeia e o BCE têm para o sector bancário em Portugal é concentrar nos grandes bancos espanhóis o controlo accionista da banca nacional e do sistema financeiro na Península Ibérica.

Não sendo um problema novo, assumiu nos últimos anos uma dimensão preocupante, pois o processo de concentração tem levado a que estas e outras instituições estrangeiras tenham assumido posições significativas no sistema financeiro em Portugal.

A situação actual do sector financeiro no nosso País, particularmente no sector bancário, é motivo de grande preocupação entre os portugueses, que questionam até quando o Estado português vai continuar a suportar com dinheiros públicos, as consequências de uma gestão contrária aos interesses nacionais.

Os donos do capital têm utilizado o sector, única e exclusivamente, em função dos seus objectivos de acumulação e concentração de riqueza: deviam ser os accionistas a assumir a recapitalização dos seus bancos mas foi o Estado que injectou muitos milhões de euros nesses bancos privados, em vez de colocar o dinheiro ao serviço da economia nacional e da criação de emprego.

Desde a crise económica e financeira os bancos, que eram reconhecidos por todas as autoridades como sólidos, têm vindo sistematicamente a ruir, não servindo os trabalhadores, as populações e as empresas nacionais. Com o processo de concentração bancária, vieram as reestruturações e com elas a destruição de postos de trabalho e fecho de balcões. Desde a vinda da Troika até hoje, já encerraram mais de 2 mil balcões e saíram mais de 10 mil trabalhadores.

Para o PCP é imperativo que a banca privada deixe de constituir um obstáculo ao desenvolvimento da economia nacional.

O PCP defende a garantia do controlo público da banca, reforçando a Caixa Geral de Depósitos como banco público ao serviço da população, bem como a nacionalização das restantes instituições financeiras, nomeadamente do Novo Banco, pela recuperação do controlo democrático sobre o sistema financeiro.

A banca pública é a única possibilidade de garantir o interesse público e nacional, de recuperar uma alavanca imprescindível para o desenvolvimento soberano do país.

Rute Santos

 



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