CDU está a construir uma alternativa política de futuro para os Açores
ELEIÇÕES O Presidente da República marcou para 25 de Outubro as eleições regionais açorianas de 2020. CDU apresenta candidatos em que o povo pode e deve confiar.
Reforçar a CDU e a sua capacidade de intervenção
A data foi anunciada depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter promulgado, na sexta-feira, as alterações à Lei Eleitoral da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), entre as quais o voto antecipado em mobilidade.
A campanha eleitoral decorrerá entre 11 e 23 de Outubro. No dia 11 de Agosto, a CDU apresentou, no Centro de Trabalho do PCP de Ponta Delgada, o seu primeiro candidato ao Círculo Eleitoral de Compensação, Marco Varela, e o mandatário regional, Henrique Levy.
«O reforço da CDU e da sua capacidade de intervenção é uma das questões centrais que estão colocadas aos trabalhadores e ao povo, para que os seus direitos sejam defendidos», afirmou Marco Varela.
Deu ainda a conhecer «12 eixos de defesa que se afiguram urgentes e de resolução imediata», que passam pela «elaboração de um Plano de Combate à precariedade; apoio às micro, pequenas e médias empresas, na perspectiva da criação de emprego sustentável e com direitos», «valorização salarial, defesa de direitos laborais e aumento do Acréscimo Regional ao Salário Mínimo Nacional, de cinco para 7,5 por cento» e «combate à pobreza e à exclusão social», através do «aumento do complemento regional de pensões, abono de família e a redução da taxa mais alta do IVA».
«Creches gratuitas e aumento da rede pública de creches», «incentivos à fixação de jovens em todas as ilhas e nos centros históricos das cidades», «melhores transportes públicos – terrestres, marítimos e aéreos – numa perspectiva de mobilidade integrada. Diminuição dos preços das passagens e criação de passes sociais» e «valorização da produção regional (agricultura, pescas e indústria transformadora», são outras das propostas».
A CDU reclama ainda o reforço dos «serviços públicos – em particular do Serviço Regional de Saúde e da Educação», com mais meios humanos e recursos materiais, e do «Sector público Empresarial Regional (SATA, EDA, Santa Catarina e SINAGA)», bem como a «defesa do meio ambiente», «uma política de valorização da Cultura e da Ciência e Tecnologia» e o «Desenvolvimento harmonioso e equilibrado das nove ilhas do arquipélago dos Açores».
Quase a terminar, Marco Varela considerou ser um «imperativo acabar com as maiorias absolutas» nos Açores e apelou ao «crescimento eleitoral da CDU», factor «decisivo e essencial para essa tão desejada e necessária mudança». «Somos e vamos continuar a ser a voz dos trabalhadores, dos explorados, dos desempregados, dos mais desprotegidos e que mais sofrem com as políticas que têm vindo a ser seguidas», destacou.
Dar força à CDU
O poeta e professor Henrique Levy explicou os motivos pelos quais aceitou o «desafio» de ser mandatário de uma força política em que os candidatos «dão-nos a certeza de não estarem ao serviço de interesses corporativos e privados».
«A lista da CDU é a voz do povo açoriano que na sua luta diária batalha pela igualdade nos direitos e deveres de um povo que está farto de esquemas, negociatas e trafulhices. Um povo, que ao constatar pelo número da abstenção em diferentes actos eleitorais, não se revê nos programas políticos dos dois partidos que há dezenas de anos têm governado o nosso arquipélago», afiançou, frisando: «É urgente dar força à única força política que defende os direitos dos que trabalham, dos jovens à procura de pleno emprego, dos reformados, dos desempregados».
Candidatos por São Jorge
No dia 13 de Agosto, a CDU apresentou, na vila de Velas, os seus candidatos ao círculo eleitoral da ilha de São Jorge. A lista é encabeçada por Pedro Pessanha (51 anos, gestor), seguindo-se António Machado (27 anos, trabalhador-estudante), Noélia Teixeira (45 anos, ajudante sócio-familiar), António Paz (55 anos, auxiliar de apoio), Albano Gomes (20 anos, estudante), Paula Brasil (37 anos, técnica de limpeza), Alexandre Jorge (19 anos, estudante), Moisés Soares (25 anos, auxiliar de limpeza – bombeiro), Vanessa Cardoso (38 anos, sócio-gerente de restaurante), Patrícia Baltazar (20 anos, estudante) e Manuel Amaral (21 anos, praticante de oficial). O mandatário da lista é António Machado. A apresentação contou com a presença e participação de Marco Varela, também Coordenador Regional do PCP.
Pedro Pessanha salientou que o objectivo que «une» e «faz participar» os candidatos da CDU é «a nossa ilha» e «acreditar» que, através da política, «podemos trazer à discussão problemas da nossa terra e assim, de forma construtiva, apresentar soluções». «Esta alternativa é feita por jorgenses e para jorgenses, por pessoas que passam as mesmas dificuldades, quer seja na mobilidade, na educação, na saúde, no emprego, entre muitos outros aspectos que dificultam o nosso dia-a-dia», frisou.
De seguida, o primeiro candidato apresentou um conjunto de propostas que a CDU defende para São Jorge, como «criar condições para a fixação dos médicos de família», «apoiar a produção hortícola e frutícola», «criar condições e apoios para “São Jorge 100% Biológico», «apostar na excelência do queijo e leite de São Jorge», «exigir fibra óptica em toda a ilha», «regularidade do transporte marítimo», «aumento da oferta de voos e certificação da pista do aeroporto para voos nocturnos», «garantia de escoamento de pescado no máximo 24 horas após a sua apanha», «criação de Gabinetes de Inserção Social e Profissional» e «apoiar as três escolas nas suas necessidades de manutenção e equipamentos». Por outro lado, os futuros deputados eleitos pela CDU assumem o compromisso de «apresentarem o trabalho realizado mensalmente nas várias freguesias da ilha» e prometem «criar um Plano Estratégico Económico e Social».
Defender o Faial
Na ilha do Faial, os primeiros dois candidatos da CDU são, respectivamente, Paula Decq Mota (41 anos, professora de Matemática do 3.º ciclo e ensino secundário) e André da Costa Goulart (27 anos, auxiliar de secretariado e trabalhador independente em IPSS).
A apresentação dos candidatos decorreu no passado dia 19 e contou com a participação de Marco Varela. «Foi fácil dizer sim a um projecto (da CDU) que pretende ser uma lufada de ar fresco a este período de “dias húmidos” e “ar enfado”», salientou André da Costa Goulart, referindo-se aos anos de governação do PS. Apelou ainda à participação dos jovens no próximo acto eleitoral, de forma a escolher a futura «solução governativa».
Paula Decq Mota destacou que a candidatura da CDU «dá alternativa e força a todos os faialenses». Dirigiu-se, depois, «aos jovens, aos descontentes, aos desinteressados, aos desligados, aos zangados, aos seis mil faialenses que há quatro anos acharam que não iam fazer a diferença». «É minha convicção profunda que o arquipélago apenas se desenvolve harmoniosamente com o desenvolvimento equilibrado das suas nove ilhas. Infelizmente, quem tem exercido o poder assim não pensa, pois considera que há ilhas mais importantes que outras. Tal como no passado, é preciso no Faial quem o defenda, livremente e descomprometidamente, sem qualquer outro objectivo ou intenção que não seja a defesa do que consideramos essencial para o seu desenvolvimento. A força do Faial será tanto maior quanto a força daqueles que, na realidade, o defendem», afirmou a candidata.
Chegar mais longe no Pico
Daniela Jacobs (40 anos) foi publicamente apresentada, no dia 21 de Agosto, como a primeira candidata da CDU ao círculo eleitoral do Pico. Na intervenção proferida no Largo Jaime Ferreira, na Madalena, a enfermeira prometeu «batalhar» para que a CDU chegue «mais longe» no Pico. Como sublinhou, esta «é uma candidatura determinada e irreverente, que, através da sua participação, quer contribuir para a mudança, em defesa dos direitos de quem trabalha, por uma nova política e por um novo futuro para os Açores».
A primeira candidata realçou ainda que «é preciso mudar de políticas» e «devolver ao Pico o seu lugar no contexto regional», e isso «só se consegue com o devido planeamento, investimento, gestão e fiscalização». «Estamos aqui» porque a «nossa ilha merece deputados com voz activa na Assembleia Regional», para que o «acesso à Saúde no Pico seja justo, pela COFACO, pelo novo Centro de Saúde das Lajes, pela valorização dos nossos produtos e dos nossos produtores», destacou Daniela Jacobs, acrescentando: «Estamos aqui pela nossa terra, pelo nosso futuro e pela nossa dignidade».
Ali, Marco Varela, primeiro candidato pelo Círculo Eleitoral de Compensação e Coordenador Regional do PCP, relembrou que a situação dos ex-trabalhadores da COFACO não está resolvida e reclamou a «aplicação de medidas para minimizar o impacto social e económico do despedimento colectivo da COFACO e no equilíbrio da situação social e económica da ilha do Pico e da Região, sendo fundamental minorar as dificuldades da população picoense, reconhecendo a especificidade e excepcionalidade da sua situação».
«Facilitou-se o acesso à majoração do valor do subsídio de desemprego, minorando o efeito da redução do poder de compra das famílias, procurando, com um esforço de investimento em contra-ciclo facilitar, a recuperação económica e social da ilha do Pico, mas estes trabalhares precisam de ver a sua aplicação», reclamou.
Propostas para São Miguel
No dia 24 de Agosto, foram apresentados os primeiros três candidatos da CDU ao círculo eleitoral da ilha de São Miguel, respectivamente, Rui Teixeira (PCP), Vera Correia (PEV) e João Almeida (JCP). A iniciativa contou com a participação de Marco Varela, Coordenador Regional do PCP e primeiro candidato pelo Círculo de Compensação.
«Esta lista é constituída por mulheres e homens que todos os dias estão lado a lado com aqueles cujos problemas querem levar à Assembleia Regional (ALRAA): os trabalhadores, os reformados, os que desesperam com o seu problema de saúde, os que pretendem ter um projecto de vida nesta ilha, com as populações arredadas das decisões políticas», afirmou, no início da sua intervenção, Rui Teixeira, frisando: «Dar mais força à CDU, eleger mais deputados da CDU, será dar mais força à resolução dos seus problemas».
Mais adiante, o professor e dirigente sindical valorizou o programa da CDU, dirigido «ao aumento dos rendimentos da maioria, ao poder de compra, à mobilidade, à saúde, à educação, à cultura, à habitação».
«Estamos aqui, apenas, a exigir o nosso direito ao futuro, o direito de todos e cada um a construir o seu projecto de futuro, na ilha em que escolheu viver», acrescentou, criticando as «opções políticas» do PS, PSD, CDS e «demais direita regional», que «resultam no lucro rápido à custa de quem trabalha; no adiamento dos cuidados de saúde; na falta de respostas na educação; na pobreza e na exclusão social».
Para contrariar a actual situação, a CDU «aposta no crescimento geral dos salários, no emprego estável e com direitos, no combate à pobreza e exclusão social» e mais «apoio às micro, pequenas e médias empresas, na perspectiva da criação de emprego sustentável e com direitos». «É esse o caminho para o desenvolvimento económico e social», reforçou Rui Teixeira.
Política alternativa
Marco Varela destacou a necessidade de a composição partidária da ALRAA reflectir com maior rigor possível a representatividade social das forças partidárias e, mais do que isso, os diferentes sectores económicos e sociais existentes na Região.
Avançou, ainda, com um conjunto de propostas inovadoras na área económica, social, desportiva, ambiental, de transportes, saúde e outras matérias relevantes. «Defendemos prioritariamente as grandes áreas da economia produtiva; a agropecuária e as pescas. Mas não descuramos outras áreas a desenvolver, como por exemplo o turismo, a construção, a promoção da actividade comercial local, entre outras», explicou o também candidato.
Nesse sentido, a CDU vai «propor e defender» uma «política de transportes aéreos e marítimos mais eficazes, mas também mais solidária, e que permita unir mais e melhor as ilhas da Região e facilitar as suas ligações com o exterior».