Venezuela denuncia nova provocação do Comando Sul dos Estados Unidos

AMEAÇAS Um navio de guerra norte-americano entrou em águas jurisdicionais venezuelanas. Está em curso mais uma campanha mediática paga pelos EUA, que tentaram também difundir a Voz da América para a Venezuela a partir da Guiana.

Navio norte-americano chegou a 30 quilómetros da costa da Venezuela

A Venezuela denunciou mais um acto de provocação do Comando Sul dos Estados Unidos, com a incursão de um seu navio de guerra, o USS Pinckney, a apenas 16,1 milhas náuticas (30 quilómetros) da costa do país sul-americano. Através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, divulgado em Caracas, no dia 16, o governo rejeita declarações do Pentágono segundo as quais a Venezuela exerce um «excessivo controlo» sobre as suas águas territoriais.

O governo venezuelano afirma que a entrada do navio de guerra norte-americano de maneira furtiva em águas jurisdicionais da Venezuela viola o direito marítimo internacional e só pode ser qualificada como um acto de provocação.

Tais acções surgem em resultado da recente visita do presidente Donald Trump ao comando militar situado na Flórida, «na sua desesperada campanha para atrair o voto latino nesse Estado a troco da permanente e ilegal agressão contra a Venezuela», acrescenta o comunicado.

«As instituições da Venezuela, em especial a sua Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), farão respeitar a sagrada soberania e integridade territorial do país em toda a costa, e de acordo com as leis internacionais», assevera a nota. E acentua que esse posicionamento contempla todas as acções que se considerem necessárias, sem cair em absurdas provocações que pretendem afectar a paz e a tranquilidade dos venezuelanos, assim como as dos outros povos latino-americanos e caribenhos.

Também o comandante estratégico operacional venezuelano, Remigio Ceballos, afiançou que a FANB está preparada para garantir a soberania da Venezuela. Na sua conta no Twitter, o alto responsável militar enfatizou que a FANB, juntamente com o povo e a sua Milícia Bolivariana, garante a defesa da Pátria no ar, em terra e no mar contra todas as ameaças.

O Comando Sul do Pentágono informou que o USS Pinckney, integrado num grupo de outros meios navais, navega em águas das Caraíbas orientais, no quadro de uma alegada operação contra o narcotráfico anunciada em Abril pela administração Trump e qualificada pela Venezuela como uma tentativa de agressão.

Campanha mediática financiada pelos EUA
Em Caracas, o presidente Nicolás Maduro denunciou, no dia 15, a campanha levada a cabo por alguns meios de comunicação internacionais, com o apoio do EUA, visando silenciar os esforços da Venezuela no enfrentamento da pandemia de COVID-19.

Recentemente, o subsecretário de Estado norte-americano Elliot Abrams anunciou que financiará uma campanha mediática contra a Revolução Bolivariana.

«Esta campanha já começou, porque eles já estão a mentir, tentando transmitir uma realidade que não existe», disse o chefe do Estado, em declarações transmitidas pela Venezolana de Televisión.

Maduro apontou directamente para agências internacionais e estações de televisão como a Associated Press, Reuters, Bloomberg, Euronews e outras, que acusou de divulgar notícias falsas, apoiadas pelo que apelidou de mercenários nas redes sociais, que «são pagos para criar páginas da web a fim de bombardear a rede com boatos».

Ao mesmo tempo que caluniam e deturpam a realidade na Venezuela, onde, apesar das dificuldades causadas pelo bloqueio dos EUA, o combate contra a pandemia tem conseguido resultados positivos – reiterou o presidente –, a campanha mediática silencia o que acontece nos EUA, no Brasil, na Colômbia, porque o objetivo é transformar a Venezuela no epicentro da pandemia.

Tentativa de invadir espaço rádio-eléctrico
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Jorge Arreaza, rechaçou a tentativa dos EUA de invadir o espaço rádio-eléctrico do país sul-americano, através da infra-estrutura de telecomunicações da Guiana. O governo de Georgetown reconheceu que recebeu um pedido dos EUA mas negou prestar-se a interferir no país vizinho, considerando que «não é do interesse nacional fazer algo que contribua para desestabilizar as relações com a Venezuela».

Documentos referidos por Arreaza comprovam que Washington solicitou a utilização da infra-estrutura guianesa para transmitir ilegalmente o sinal da emissora Voz da América (VOA) para a Venezuela.

Segundo o diário Guyana Chronicle, as autoridades norte-americanas pretendiam utilizar uma antena de onda média localizada na Guiana para difundir conteúdos da emissora oficial da administração dos EUA para o espaço radiofónico da Venezuela.

 



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