Trabalhadores da Bolívia manifestam-se e rejeitam adiamento das eleições gerais
Convocadas pela Central Obrera Boliviana (COB), milhares de pessoas manifestaram-se no dia 15 na Bolívia em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra as políticas do governo golpista da auto-proclamada presidente Jeanine Áñez.
A principal acção foi uma marcha ao longo dos 12 quilómetros que separam a cidade de El Alto e a vizinha La Paz, a capital. Protestos semelhantes ocorreram por todo o país, em defesa do emprego e da democracia, de novas políticas na Saúde e na Educação.
Na ocasião, a COB reiterou a sua oposição ao adiamento das eleições na Bolívia, previstas para início de Setembro. O secretário-geral, Juan Carlos Huarachi, assegurou que a central sindical não está de acordo com um novo adiamento e anunciou mobilizações populares para apoiar o calendário aprovado pelo Tribunal Supremo Eleitoral.
«Vamos defender a democracia, os recursos naturais e estabilidade laboral. Os trabalhadores farão cumprir as eleições nacionais a 6 de Setembro», afirmou o líder sindical.
Huarachi também criticou a gestão da auto-proclamada presidente face à COVID-19 e denunciou o improviso e a falta de medidas no enfrentamento da pandemia, que provocou até agora a morte de 1898 bolivianos. «Não há um programa nem soluções estruturais e a população está a pagar todos os erros que se cometeram nos últimos meses», denunciou o líder da COB.
Manobras em curso para adiar as eleições
A maioria dos candidatos à presidência da Bolívia pronunciou-se por um adiamento das eleições invocando a crise sanitária provocada pela COVID-19. Mas os analistas assinalam que pretendem ganhar tempo para tentar melhorar as suas probabilidades de vencer ou concertar novas alianças contra o Movimento para o Socialismo (MAS), favorito segundo as sondagens.
A esse respeito pronunciou-se o ex-presidente Evo Morales, que alertou a comunidade internacional para as manobras do governo de facto. «Somente com eleições democráticas o país poderá empreender o caminho de superação das crises que vive», escreveu no Twitter.
Morales denunciou que alguns comités cívicos que participaram no golpe de Estado de Novembro de 2019 pressionam as autoridades eleitorais do país para adiar as eleições. «Isso volta a evidenciar a sua cumplicidade com o governo corrupto e a sua visão anti-democrática», realçou.
O ex-presidente boliviano, que se encontra na Argentina como refugiado, alertou também para as tentativas da direita de afastar o candidato presidencial do MAS, Luis Arce, da corrida eleitoral.