Marcha em Setúbal exigiu medidas para atacar a pandemia e a crise

URGÊNCIA Os trabalhadores na Península de Setúbal vivem em extrema dificuldade e persistem na luta para defender o emprego com direitos, melhores salários e condições de segurança e saúde.

É dado grande apoio às empresas e muito pouco aos trabalhadores

Na sexta-feira, dia 3, durante a manhã, quase 400 trabalhadores reuniram-se junto ao edifício da Segurança Social, na capital do distrito, e desfilaram, em manifestação, cumprindo o distanciamento e demais normas sanitárias, até ao Centro de Emprego. O protesto, «Pelo emprego com direitos, mais Saúde e Segurança, mais salários e mais serviços públicos», foi organizado pela União dos Sindicatos de Setúbal, envolvendo as demais estruturas do movimento sindical unitário.

Ao som de palavras de ordem, como «trabalho sim, desemprego não» ou «para o País produzir, é urgente investir», os manifestantes seguiram pela avenida Luísa Todi e a Praça do Bocage (onde foram saudados por uma delegação de eleitos da CDU em órgãos das autarquias locais), prosseguindo pela Avenida 5 de Outubro (onde uma delegação do PCP saudou a sua passagem).

Isabel Camarinha, Secretária-geral da CGTP-IN, que integrou o desfile com uma delegação da direcção da confederação, realçou que a marcha se realizou «precisamente para exigir que haja medidas que garantam emprego, salários, direitos e a saúde, porque estamos a verificar que os trabalhadores estão numa situação de extrema dificuldade».

Em declarações à agência Lusa, a dirigente considerou que o Orçamento do Estado suplementar, nessa altura já aprovado, «não garante o que é necessário» e mantém «um desequilíbrio entre o muito grande apoio que é dado às empresas e o muito pouco apoio que é dado aos trabalhadores».

A nível nacional, recordou, desde que se iniciou o surto epidémico, os salários foram reduzidos a mais de um milhão de trabalhadores, mais de 103 mil ficaram desempregados, sendo que 57 por cento destes tinham vínculos precários.

Isabel Camarinha insistiu que deveriam serproibidos os despedimentos e garantida a retribuição total dos trabalhadores.

O recurso ao lay-off por parte de grandes empresas do distrito, como a Autoeuropa, o Grupo The Navigator Company e a Transportes Sul do Tejo, foi criticado pelo coordenador da União dos Sindicatos de Setúbal. Para Luís Leitão, a medida «apenas serve para proteger os interesses do grande capital, e não o emprego».

Com um total de 41 567 desempregados registados no final de Maio, no distrito, houve em três meses um aumento de 28,6 por cento, salientou.




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