Força de Abril vai afirmar-se nas vozes e nas janelas

REVOLUÇÃO Nas circunstâncias ditadas pelo combate à COVID-19, os 46 anos do 25 de Abril são celebrados sob formas alternativas às grandes manifestações de rua. O ponto alto ocorre às 15 horas.

Do processo revolucionário resultaram profundas transformações

A comissão promotora das comemorações populares – integrada por um amplo leque de estruturas, incluindo o PCP e a JCP, a Associação 25 de Abril, a Intervenção Democrática, o PEV, a CGTP-IN, o MDM, o MURPI e a URAP – apelou a que no dia 25, às 15 horas, todos os que estejam em casa venham às janelas ou às varandas e cantem a «Grândola, Vila Morena» e o Hino Nacional.

Aos que estiverem a trabalhar, é feito apelo a que suspendam o trabalho (exceptuando serviços de saúde e outros, onde a paragem não seja possível) e cantem a «Grândola, Vila Morena» e o Hino Nacional. Foi ainda dirigido um apelo a que as rádios e televisões, também às 15 horas, transmitam a «Grândola, Vila Morena», seguida do Hino Nacional.

A esta iniciativa associaram-se inúmeras entidades, nomeadamente autarquias locais e associações. Em diversos casos, foram anunciadas também iniciativas próprias na Internet e na rádio.

Profundas transformações

O dia 25 de Abril de 1974 «assinala o início de um processo revolucionário protagonizado pelo povo e pelos militares progressistas, que realizou profundas transformações democráticas no nosso País», afirma-se no «Apelo à participação». A comissão promotora refere a conquista de liberdades e garantias, direitos políticos, económicos, sociais e culturais, e a afirmação da soberania e da independência nacionais, «que foram consagrados na Constituição».

No actual «momento de enorme crise, de guerra global com um inimigo invisível e traiçoeiro», «os portugueses têm tido, de uma maneira geral, um comportamento solidário e unido que, estamos convictos, é resultado directo, acima de tudo, das transformações que colectivamente fizemos na nossa sociedade, renovada com o 25 de Abril».

No apelo considera-se que «a calamidade que enfrentamos evidencia, uma vez mais, o valor inestimável do Serviço Nacional de Saúde como eixo estruturante do regime democrático, só possível graças à Revolução de Abril e que importa defender e reforçar».

Iniciativas do PCP

O PCP – para lá do cravo especial que faz parte desta edição do seu órgão central – está a afixar faixas impressas, no exterior de centros de trabalho e noutros locais de maior visibilidade. Outros elementos, tanto visuais, como sonoros (em algumas localidades circularão carros de som) estão disponíveis no site do Partido.

Nos meios electrónicos do PCP (sítio e redes sociais), haverá uma programação especial.

No dia 24, desde as 21 horas e até à madrugada de dia 25, serão exibidos quatro documentários: «Com os valores de Abril – Construir um Portugal com futuro», a partir da exposição no Espaço Central da Festa do «Avante!» de 2019; Recriação da fuga colectiva de Peniche (realizada a 3 de Janeiro de 2014, no encerramento das comemorações do centenário de Álvaro Cunhal); «48», de Susana de Sousa Dias (2010); «Músicas de Abril» na Festa do Avante!.

No dia 25, a partir das 10h30, a emissão inclui a intervenção do Secretário-geral do PCP na sessão solene na Assembleia da República. Às 15 horas, ecoarão a «Grândola, Vila Morena» e o Hino Nacional.

Ao longo do dia vão ser exibidos: «Cravo Vermelho», animação (RDA, 1974); Conversa com António Dias Lourenço; «Paredes Pintadas da Revolução Portuguesa», Célula de Cinema do PCP (1976); «A Lei da Terra», Grupo Zero (1977); «As Desventuras do Drácula Von Barreto nas Terras da Reforma Agrária», Célula de Cinema do PCP (1977); «Um Ano de Revolução» (1975); «As Portas que Abril Abriu», de José Carlos Ary dos Santos; «As Armas e o Povo», Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica (1975); «25 Canções de Abril» (1977).

Para cumprir Abril

«Neste momento, em que enfrentamos tão difícil crise, reafirmamos que para cumprir Abril se impõe continuar a lutar para acabar com múltiplas discriminações e injustiças sociais, ainda existentes, e que a pobreza, a desigualdade de género, a xenofobia e o racismo têm de ser combatidos e expurgados da nossa sociedade!

Para cumprir Abril é preciso impedir que sejam os trabalhadores e as pessoas mais vulneráveis a serem as principais vítimas das nefastas consequências económicas e sociais da crise provocada pela pandemia da COVID-19 e, depois desta crise, é preciso continuar a combater políticas de retrocesso, como a precarização das relações de trabalho e o aumento da exploração dos trabalhadores, a manutenção dos baixos salários, o ataque aos serviços públicos e às funções sociais do Estado que devem ser garantidas de forma universal, não deixando de defender o interesse nacional na política externa.

Para cumprir Abril, temos de ultrapassar as dificuldades do momento que vivemos, não recuando na reposição e aumento de rendimentos e salários, na estabilidade laboral, no reforço dos serviços públicos, na garantia do direito à educação e à saúde, na garantia do acesso à fruição e criação cultural, nos direitos das famílias.»

Excerto do «Apelo à Participação»,
subscrito pela comissão promotora
das comemorações populares
do 46.º aniversário do 25 de Abril




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