O negócio em torno da hemodiálise

Duas empresas detentoras de uma rede de clínicas privadas concentram hoje cerca de 80 por cento dos cuidados prestados pelo sector privado aos doentes hemodializados. Na sua totalidade os centros de diálise privados cobrem 90 por cento dos tratamentos de que carecem os mais de 12 mil doentes existentes. Para o PCP, este é um «negócio «escandaloso», que floresceu por deliberada opção de sucessivos governos que não quiseram incrementar uma rede pública para tratamento de hemodiálise consentânea com uma adequada resposta às necessidades dos doentes.

«Isto não é ser complementar nem supletivo. É um aproveitamento da doença, neste caso da doença renal», denunciou o deputado comunista João Dias na última sessão parlamentar que antecedeu o período de festividades natalícias, em debate suscitado por uma petição onde os signatários solicitavam a concessão de uma convenção, com o ministério da Saúde, para o Centro Médico de Diálise de Benedita, Alcobaça, pretensão que entretanto fora já atendida.

Lembrando que nenhum grupo económico privado investe na saúde para perder dinheiro, João Dias considerou que este «negócio altamente lucrativo» só serve esses grupos, não servindo o País, nem os doentes, nem os profissionais e os seus direitos.

«Quando a saúde é um negócio os interesses dos doentes são a última preocupação para as empresas», afirmou o parlamentar comunista, que pôs em evidência a necessidade de o Estado deixar de ficar refém desses interesses económicos privados. O que reclama, frisou, uma intervenção firme e determinada do Governo que «salvaguarde o interesse público e o dos doentes».



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