Cimeira da NATO em Londres marcada por desavenças

A cimeira da NATO, no dia 4, em Londres, foi o destaque noticioso da semana passada no Reino Unido, à margem da campanha eleitoral para as legislativas que decorrem hoje, quinta-feira, 12.

A reunião, realizada num luxuoso hotel nos arredores da capital britânica, deu muito que falar, não só por tratar-se de uma aliança militar entre alguns dos países mais poderosos do mundo mas também pelas desavenças entre os seus líderes.

O presidente da França, Emmanuel Macron, já antes tinha causado polémica quando declarou publicamente que a NATO estava em «morte cerebral». A fúria do dirigente francês teve a ver com a decisão dos EUA de, sem consultas, retirar as suas tropas do norte da Síria, permitindo a posterior intervenção de forças da Turquia nesses territórios sírios para combater rebeldes curdos que até então tinham sido aliados da coligação ocidental, França incluída, ali instalada contra a vontade do governo de Damasco.

À sua chegada a Londres, onde, como em anteriores visitas, foi recebido por protestos organizados por movimentos sociais, o presidente Donald Trump não demorou a criticar Macron pelas suas declarações, que considerou insultuosas e desrespeitosas para os outros membros.

Em termos mediáticos, o momento alto da cimeira de Londres, que pretendia comemorar os 70 anos da criação da NATO, foi a divulgação de um vídeo em que o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, parece troçar de Trump durante uma conversa informal com outros líderes, durante uma recepção no Palácio de Buckingham.

Visivelmente aborrecido, o presidente estado-unidense acusou Trudeau de ter «duas caras» e assegurou que o seu vizinho estava zangado porque ele, Trump, lhe havia exigido que cumprisse os compromissos financeiros com a NATO.

Depois dessa intervenção e sem participar na conferência de imprensa final que estava programada, Trump regressou de imediato a Washington, onde o esperava o processo de impeachment desencadeado pelos democratas na Câmara dos Representantes.

Apesar das desavenças entre líderes dos 29 estados membros, a cimeira de Londres terminou com uma declaração bastante optimista que ressalta o compromisso dos aliados europeus de dedicar dois por cento do Produto Interno Bruto dos seus países a gastos com defesa.

O texto reafirma que a Rússia representa uma ameaça para a segurança euro-atlântica, declara o espaço exterior como parte do domínio operacional da NATO e reconhece pela primeira vez que a China constitui uma oportunidade mas também um desafio que deve ser tido em conta.




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