Pisados pela injustiça social
Na passada terça-feira, com grande impacto mediático, foi divulgado mais um PISA que, como é sabido, é um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), elaborado de três em três anos e que mede o desempenho dos alunos de 15 anos em competências como leitura, matemática e ciências, avaliando ainda outras questões como o ambiente escolar e as condições de equidade na aprendizagem
De acordo com o PISA, neste caso referente a 2018, as dificuldades económicas continuam a ter efeitos negativos nos resultados escolares dos alunos portugueses, bem como nas suas expectativas relativamente à conclusão de um curso superior.
Para o PCP não há propriamente surpresa no resultado avançado neste PISA: que a origem socioeconómica dos alunos seja um «forte indicador» dos resultados escolares; que os alunos de origem socioeconómica mais favorecida fiquem acima dos que têm maiores dificuldades económicas; que os alunos mais pobres não perspectivem concluir um curso superior, o que, entre os alunos mais favorecidos, é um objectivo declarado pela quase totalidade.
Mas, se no diagnóstico, OCDE e PCP até parecem convergir, seguramente não convergem nem nas causas nem nas soluções para este problema. Para o PCP, havendo uma correlação entre baixos salários e pensões - pobreza - resultados escolares, o problema resolve-se com salários e pensões dignos, justiça social, escola pública de qualidade e gratuita, educação como direito, progresso social.
Quanto à OCDE, por mais «pisas» que produza, nunca conseguirá enxergar a verdadeira causa do fenómeno. Pudera! pois sendo ela própria uma organização do sistema dominante, como poderia concluir que é na exploração capitalista que mergulha a mais profunda raiz do problema?...