Sem valorizar o trabalho e as carreiras o Serviço Nacional de Saúde empobrece
VISITA Jerónimo de Sousa encontrou-se com o Conselho de Administração (CA) e visitou o Instituto Português de Oncologia de Lisboa, confirmando que os salários e carreiras estão na base da carência de efectivos registada.
Fica por aproveitar «todo o potencial», disse o Secretário-geral do PCP
Depois de cerca de uma hora de reunião com o corpo directivo do IPO, na qual participaram também Jorge Pires, da Comissão Política, e o deputado João Dias, o Secretário-geral do PCP considerou ter sido cumprido o objectivo de «conhecer esta realidade e os seus problemas para dar mais sustentabilidade às iniciativas legislativas que começámos a apresentar». Designadamente em matéria de valorização dos salários e das carreiras, uma vez que o encontro confirmou que muitos profissionais de diversas áreas têm abandonado o Serviço Nacional de Saúde (SNS) devido justamente à manutenção das baixas remunerações e dos constrangimentos à progressão.
Não obstante, e esse foi um elemento que Jerónimo de Sousa fez questão de sublinhar, os serviços, mesmo num domínio «tão sensível como a Oncologia, funcionam apesar dos constrangimentos de pessoal».
Fica contudo por aproveitar «todo o potencial [de conhecimento, equipamentos] existente», nesta área como noutras do SNS, o qual é «insubstituível» e, por isso, «deve manter-se e ser reforçado», disse.
Houve excelentes profissionais que saíram daqui por uma diferença de 200 euros [no salário]», insistiu o dirigente comunista.
Com efeito, isso mesmo foi depois confirmado pelo presidente do CA do IPO de Lisboa, João Oliveira, que em declarações à comunicação social calculou em cerca de 300 o número de profissionais em falta, de assistentes operacionais e técnicos a médicos, enfermeiros ou técnicos superiores de química e física, e considerou, também, que além da contratação destes a valorização dos salários e das carreiras é essencial para preservar o corpo clínico e de apoio num SNS pleno de capacidades.
Aumento geral
Questionado sobre o problema colocado pela aproximação do Salário Mínimo Nacional ao salário médio, caso se concretize um aumento do primeiro superior a 750 euros, o Secretário-geral do Partido defendeu que a solução passa por um crescimento geral dos salários, obstando essa eventual compressão, e responsabilizou o Governo por essa matéria.
«O Governo tem responsabilidades próprias, quando tiver de decidir, pode decidir», lembrou, rejeitando, assim, que tal decisão dependa da existência de acordo na Concertação Social.
Quanto à proposta que o PCP levou à Assembleia da República com o propósito de garantir a gratuitidade de medicamentos para os maiores de 65 anos, Jerónimo de Sousa realçou que se trata de um «drama real» vivido por milhares de portugueses o facto de serem obrigados a «escolher entre o almoço ou o jantar e os medicamentos». Pelo que a medida «é de inteira justiça e uma possibilidade real», salientou. Tanto mais que a produção de alguns fármacos em laboratórios públicos «até sairia mais barata ao Estado».