Venezuela preparada para resistir e vencer

REPÚDIO A Venezuela lançou uma campanha, no país e no quadro da solidariedade internacional, de repúdio do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos EUA contra a República Bolivariana.

«Obrigar um povo a render-se pela fome é próprio de um genocida»

A Venezuela não receia as ameaças do imperialismo e está preparada para resistir e vencer, afirmou o presidente Nicolás Maduro durante uma gigantesca concentração popular, em Caracas, no sábado, 10.

A acção, denominada Jornada Mundial de Protesto contra os EUA, foi convocada para repudiar o recrudescimento do bloqueio económico, comercial e financeiro do governo estado-unidense contra a Venezuela.

Os EUA violam todos os princípios do direito internacional, denunciou o chefe do Estado na Praça Simón Bolívar, na capital venezuelana. Maduro subscreveu o documento de apoio à campanha internacional «No More Trump», de rejeição às medidas unilaterais e ilegais ordenadas pelo presidente Trump. «Chamamos o povo ao combate, à acção, a levantar os olhos e as bandeiras. A Venezuela respeita-se!», disse.

Manifestou a sua confiança no povo e afirmou que os venezuelanos não se deixarão humilhar por ninguém, que se prepararam moral e politicamente para exercer o poder em benefício, única e exclusivamente, do povo de Venezuela.

Ao referir-se à sua decisão de suspender por agora as conversações com a oposição, insistiu que continua a acreditar no diálogo soberano, político e económico como única via para resolver tensões, mas com base no respeito pelos venezuelanos e a sua Constituição.

Exortou o povo a manter a unidade e a incrementar a capacidade de produção para poder seguir em frente e superar a situação que o país enfrenta devido às sanções punitivas de Washington, ao bloquear os activos do Estado e a ameaçar com sanções todos os que negoceiam com a Venezuela.

Instou as autoridades nacionais a aperfeiçoar o sistema de protecção alimentar e reafirmou a necessidade de garantir a paz e a segurança económica, assim como os rendimentos do povo. Acrescentou que a Casa Branca utiliza o poder económico do dólar e dos bancos estado-unidenses para chantagear o mundo, com o objetivo de impor a sua hegemonia à escala global.

A enorme concentração popular em Caracas, à semelhança de outras que decorreram no país, foi a resposta popular à ofensiva dos EUA contra a Venezuela, a qual se intensificou na semana passada quando Trump aprovou o bloqueio dos activos venezuelanos no exterior e a aplicação de sanções severas às entidades e pessoas que realizem qualquer tipo de actividade comercial com Caracas, tudo isso com o objectivo de criar descontentamento.

«Não Mais Trump»

A direita Venezuela utiliza o diálogo como um elemento de pressão, advertiu o presidente da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), Diosdado Cabello.

Em declarações aos jornalistas, durante a concentração popular na Praça Simón Bolívar, na capital, o dirigente bolivariano disse que os opositores «sentam-se e levantam-se quando os EUA mandam» e que agora «levantamo-nos nós, por uma questão de dignidade». Referia-se à decisão do presidente Nicolás Maduro de suspender as conversações que decorrem em Barbados, com a mediação do governo da Noruega.

«Será o presidente a decidir quando voltaremos a sentar-nos, mas neste momento, face à ofensiva fascista do imperialismo, nós decidimos levantar-nos da mesa do diálogo, não temos de prestar contas a nenhum império», reafirmou Cabello.

O presidente da ANC realçou a confiança no povo para superar a arremetida contra a Revolução Bolivariana e enfatizou que a Casa Branca não conhece os venezuelanos. «Tentar obrigar um povo a render-se pela fome é próprio da mente enferma de um genocida, acreditar que tirando os alimentos e os medicamentos a um povo o forçará a render-se, evidentemente, é não conhecer este povo, não conhecer o povo da Venezuela», disse. E qualificou o presidente Trump como «a figura mais perversa que jamais puseram à frente do imperialismo norte-americano».

Na sua resposta ao bloqueio dos EUA, milhares de venezuelanos concentraram-se nas praças Simón Bolívar ao longo do país, numa jornada de protesto contra as medidas coercivas e unilaterais impostas por Washington. Em longas filas, os venezuelanos esperaram para subscrever o abaixo-assinado que se entregará na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, repudiando a nova ordem executiva aprovada por Trump para reforçar as acções de proibição a empresas ou cidadãos estado-unidenses de estabelecer qualquer relação com o Estado venezuelano, sob pena de severas sanções.

Em mais de meia centena de países, houve também manifestações contra o bloqueio dos EUA à Venezuela, no quadro da campanha #Não Mais Trump, #No MoreTrump.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, William Castillo, comentou que este é um grande movimento de solidariedade, de internacionalismo, «são os povos do mundo a abraçar-nos». E apelou a todos os patriotas para que subscrevam o abaixo-assinado, dizendo às Nações Unidas e ao mundo «Já basta, Donald Trump, de agredir-nos!».

Esta campanha de rejeição das medidas unilaterais dos EUA contra a Venezuela decorre até 10 de Setembro, apoiada no abaixo-assinado que formalizará junto da Organização das Nações Unidas o pedido do fim do bloqueio.

Eleições parlamentares

A Assembleia Nacional Constituinte, reunida na segunda-feira, 12, em Caracas, rejeitou, por ser violadora dos direitos humanos, a ordem executiva assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Venezuela.

Os constituintes repudiaram «os novos ataques intervencionistas do governo dos Estados Unidos com o objectivo de semear destruição na nossa Pátria» e asseguraram que essas acções punitivas ilegais serão denunciadas perante as Nações Unidas.

Durante uma sessão extraordinária, a ANC aprovou também várias decisões, entre elas a criação de uma comissão para definir a data das próximas eleições parlamentares.

«Avaliaremos de acordo com a lei, a situação política do país e os critérios dos organismos, qual é o melhor momento para realizar as eleições e se essa consulta indicar que devem ter lugar este ano, elas terão lugar», garantiu o presidente do órgão legislativo, Diosdado Cabello. «Não se aceitará nenhum tipo de chantagem. Acabou-se o tempo da defensiva, vamos ao contra-ataque revolucionário», exortou.

Lembrou que a Constituição da República é muito clara quando estabelece que nenhum poder é superior à ANC e esta pode convocar eleições em qualquer momento. E, nesta altura, resta apenas um poder por renovar-se, que é a Assembleia Nacional. Este órgão foi declarado, em 2016, pelo Tribunal Supremo de Justiça, a funcionar em desacato por incumprimento de normas constitucionais.

Na mesma sessão da ANC foi decidido prosseguir a acção penal contra os opositores José Guerra, Rafael Guzmán, Juan Pablo García e Tomás Guanipa, acusados de «delitos de traição à pátria, conspiração, rebelião civil, concertação para delinquir, usurpação de funções e instigação».




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