Paris e Washington diferem sobre Irão
DIFERENÇAS Trump critica as iniciativas francesas de dialogar com Teerão sobre a situação tensa provocada pelas sanções e ameaças dos EUA ao Irão. Paris diz que não precisa de autorização de Washington.
França diz que não precisa de autorização para dialogar com Teerão
O governo francês declarou que não precisa de licença para manter contactos com o Irão tendo em vista diminuir as tensões no Golfo Pérsico. Tratou-se de uma resposta de Paris a declarações do presidente estado-unidense.
«Sobre o Irão, a França expressa-se com total soberania e está fortemente comprometida com a paz e a segurança nessa região, pelo que não necessita de qualquer autorização», afirmou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian.
O chefe da diplomacia gaulesa reiterou que Paris é fiel ao acordo de Viena sobre o programa nuclear de Teerão, pacto materializado em 2015 entre o Irão e cinco potências mundiais, do qual Washington se retirou unilateralmente, aplicando sanções e provocando a confrontação. «Nós respeitamos a assinatura, como as outras partes (Alemanha, Reino Unido, China e Rússia), com a excepção dos EUA, e exigimos que o Irão cumpra as suas obrigações», assegurou o ministro, na sexta-feira, 9.
Na véspera, o presidente Trump afirmou que Teerão enfrenta problemas financeiros e procura «desesperadamente» falar com o governo estado-unidense, mas que «recebe sinais contraditórios de todos os que pretendem representar-nos, incluindo o presidente Macron, de França».
Para Le Drian, a situação imperante, que inclusivamente pode desencadear um confronto militar, necessita de iniciativas políticas para reencontrar o diálogo. E é isso o que procura o presidente Macron com toda a transparência junto dos parceiros, em primeiro lugar dos governos europeus subscritores do acordo – disse o ministro, assegurando que Paris mantém informado Washington sobre as suas iniciativas.
Os governos de França e Irão mantiveram contactos nas últimas semanas, os quais incluíram pelo menos uma conversa telefónica entre Macron e o seu homólogo Hassan Rouhani e uma visita a Paris do vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, portador de uma mensagem do presidente iraniano.