Cresce agressividade dos EUA contra Irão
SANÇÕES Num contexto de crescente agressividade de Washington contra Teerão, o presidente dos EUA anunciou a imposição de mais sanções ao Irão. Não foram indicados pormenores sobre as medidas «punitivas».
Washington anuncia novas sanções económicas contra Teerão
LUSA
«O Irão não pode ter armas nucleares», reafirmou o presidente norte-americano, condicionando a mudança de atitude dos EUA ao abandono pelos iranianos do seu programa nuclear, que Teerão tem defendido em diversas ocasiões que tem fins pacíficos.
«Espero pelo dia em que se levantem as sanções ao Irão e que este se converta num país produtivo e próspero de novo», declarou Donald Trump. O mesmo que anunciou de forma unilateral, em Maio de 2018, o abandono do acordo nuclear entre o Irão e seis potências mundiais, alcançado em 2015.
As acusações dos EUA repetem-se apesar de a Agência Internacional de Energia Atómica, os serviços de informações norte-americanos e até aliados de Washington garantirem que o Irão cumpriu as obrigações estabelecidas pelo convénio.
Ao retirar-se do acordo, os EUA voltaram a impor duras sanções económicas ao Irão, destinadas a reduzir a zero as suas exportações de petróleo e a causar sérios prejuízos no seu sistema financeiro. «Vamos impor sanções adicionais ao Irão, em alguns casos lentamente e noutros rapidamente», informou Trump aos jornalistas no sábado, 22, falando na Casa Branca.
O presidente dos EUA confirmou na véspera que autorizou um ataque militar contra objectivos do Irão, antes de cancelar a acção no último momento, como noticiou o diário New York Times. Na versão de Trump, o cancelamento da agressão deveu-se à possibilidade de a acção «causar muitas mortes». De acordo com o presidente, os ataques seriam uma resposta ao derrube pelos iranianos de um drone espião dos EUA na zona do Estreito de Ormuz, assegurando Teerão que o aparelho violou o seu espaço aéreo, no quadro da intensificação por Washington das acções ilegais e desestabilizadoras.
Analistas norte-americanos indicam que o aparente recuo na decisão de Trump em atacar o Irão terá a ver, sim, com o receio de que uma agressão norte-americana provocaria a devastação das infra-estruturas petrolíferas do Golfo Pérsico, incluindo de aliados de Washington, e enorme perturbação na economia mundial.
Pacifistas norte-americanos
denunciam provocações
O Conselho da Paz dos EUA (USPC) denunciou as provocações norte-americanas no Golfo Pérsico e apelou à mobilização dos amantes da paz do país para evitar uma guerra com o Irão.
O USCP dá exemplos da política agressiva dos EUA desde a chegada de Trump à Casa Branca, em 2017 – o aumento da venda de armas a aliados; a imposição de sanções e a ameaça de guerra contra os estados que se recusem a prestar vassalagem a Washington; o rompimento de tratados multilaterais; as guerras comerciais contra rivais económicos; a violação do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.
A criação de crises em diferentes países e a utilização de operações de «bandeira falsa» para justificar o intervencionismo estado-unidense faz parte desta política.
Lembrando os incidentes «fabricados» em diversas ocasiões pelos EUA para as suas guerras de agressão, desde o Vietname até ao Iraque e à Síria, o USCP afirma que a política da administração Trump em relação ao Irão, em aliança com Israel e a Arábia Saudita, tem sido aumentar a tensão na região – retirando-se do acordo nuclear, concentrando tropas no Golfo Pérsico, armando a monarquia saudita na «guerra genocida» no Iémen, intensificando as sanções económicas.
O USPC não duvida que o ataque aos petroleiros no estreito de Ormuz é um pretexto de Washington para atacar o Irão. Sublinha que uma guerra dos EUA no Irão seria catastrófica para ambos os países, para o Médio Oriente e para o mundo. E apela ao movimento pacifista norte-americano que se mobilize em acções para evitar uma guerra com Irão.