«Assange nunca terá julgamento justo nos EUA»
RISCO Julian Assange continua preso em Londres. O pedido de extradição para os EUA será analisado por um tribunal inglês em Fevereiro de 2020. Se for julgado nos EUA, arrisca-se a uma pena de 175 anos.
Se julgado nos EUA, o australiano arrisca 175 anos de cadeia
Julian Assange nunca terá um julgamento justo nos Estados Unidos, assegurou em Londres o ex-oficial dos serviços de inteligência norte-americanos John Kiriakou, que cumpriu dois anos de cárcere por revelar o programa de torturas da CIA em 2007.
Em declarações à cadeia Sky News, o antigo agente explicou que, se for entregue à justiça daquele país, o fundador da Wikileaks será julgado à porta fechada num tribunal especial de Virgínia.
Preso pela Scotland Yard a 11 de Abril, depois de o Equador lhe ter retirado o asilo político concedido sete anos atrás – passou esse tempo recluso na embaixada equatoriana em Londres –, Assange cumpre uma pena de 50 semanas de cárcere na prisão londrina de Belmarsh, acusado de ter violado a liberdade condicional concedida em 2012, relativa a um caso de alegados delitos na Suécia.
Os EUA, que querem julgá-lo por ter publicado através da Wikileaks milhares de documentos secretos da diplomacia e do Pentágono, apresentaram à justiça britânica um pedido de extradição. O tribunal de Westminster, em Londres, anunciou que o pedido de extradição será analisado em Fevereiro de 2020.
Christopher Marchand, um dos advogados do activista australiano, denunciou as suas condições de detenção e disse que o processo de extradição pode durar meses ou até anos.
Se for julgado pelo tribunal de Virgínia, que se ocupa de casos relacionados com a segurança nacional, Assange enfrentará 18 acusações, desde conspiração para cometer pirataria informática até espionagem, podendo ser sentenciado a 175 anos de cadeia.